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A gripe é uma infecção das vias respiratórias provocada por um vírus chamado Influenza, que provoca surtos praticamente todos os anos na época do inverno. Quanto mais frio é o inverno, mais comum costumam ser os surtos de gripe.

A gripe é uma doença benigna na imensa maioria dos casos, possuindo uma taxa de mortalidade abaixo de 1%. Porém, por ser altamente contagiosa, ela é capaz de infectar milhões de pessoas em relativamente pouco tempo, fazendo com que uma taxa próxima de 1% represente, em números absolutos, uma quantidade grande de vítimas. Por isso, a vacinação contra o vírus Influenza tornou-se uma importante medida de saúde pública nos últimos anos.

Neste artigo vamos explicar a vacina da gripe, abordando as dúvidas mais frequentes sobre o assunto.

Se você procura informações específicas sobre a gripe e outras viroses, acesse os seguintes artigos:
GRIPE | Transmissão, Sintomas e Tratamento
GRIPE H1N1 | GRIPE SUÍNA
VIROSE ? Sintomas, Causas e Tratamento

O que é a vacina da gripe?

No Brasil, a vacina contra a gripe é feita com vírus morto.  Ela contém apenas algumas proteínas específicas do vírus Influenza, chamadas de antígenos, que são capazes de estimular o sistema imunológico a produzir anticorpos.

O vírus influenza é famoso pela sua elevada frequência de mutação, o que compromete a capacidade do sistema imunológico de criar anticorpos que sejam eficazes a longo prazo. Você pode ter uma gripe hoje e criar anticorpos altamente efetivos contra o vírus Influenza. O problema é que, nos próximos anos, há uma grande chance do vírus circulante já ser diferente daquele que lhe contaminou. Os anticorpos que você criou agora já não serão efetivos, ou serão apenas parcialmente efetivos, contra a nova cepa mutante.

As grandes epidemias de gripe que surgem de tempos em tempos, como a pandemia do H1N1 (gripe suína) de 2009, ocorrem toda vez que o vírus Influenza sofre mutações tão relevantes, que o tornam praticamente um vírus novo aos olhos do sistema imunológico da maioria da população. O vírus é tão diferente daqueles Influenzas que as pessoas tiveram ao longo das suas vidas, que praticamente ninguém tem imunidade contra o mesmo. Milhões de pessoas adoecem em todo o mudo, e a gripe torna-se manchete de jornais durante semanas. Contudo, passado o período de crise, a população cria os anticorpos necessários, e a cepa do Influenza que tanto assustou torna-se um micróbio pouco temido e incapaz de infectar grandes multidões (até uma nova mutação aparecer e iniciar o ciclo todo de novo).

Como consequência desta característica do Influenza, existem várias cepas diferentes do vírus circulando ao redor do mundo. Portanto, para que uma vacina seja efetiva, ela precisa ser eficaz contra mais de um tipo de Influenza e precisa ser frequentemente atualizada, de forma a estar sempre ativa contra as mutações mais recentes.

Por isso, novas vacinas são produzidas anualmente com o objetivo de cobrir as cepas do vírus Influenza que circularam mais recentemente. No mundo inteiro há pesquisas para que possamos saber exatamente quais são as cepas que estão circulando com mais intensidade, tanto no hemisfério norte quanto no hemisfério sul. São essas pesquisas que orientam a composição da vacina a cada ano.

Atualmente, a produção da vacinas leva, em média, seis meses a partir da seleção das cepas circulantes até o produto final disponível para distribuição. Como as campanhas de vacinação são feitas no outono, a vacina costuma ser elaborada nos meses anteriores, geralmente na primavera. Desta forma, excetuando-se casos de súbitas mutações de grande intensidade, raramente existem desemparelhamentos entre as cepas cobertas pela vacina e as cepas que circulam entre a população.

A escolha pelo outono deve-se pelo fato do sistema imunológico precisar de cerca de 1 mês para desenvolver de forma plena uma imunidade contra as cepas presentes na vacina. Como o pico de incidência da gripe ocorre no inverno, a população vacinada terá tempo suficiente para estar preparada contra o vírus.

É bom destacar que a vacina contra a gripe não contém todas as cepas conhecidas do Influenza, apenas aquelas que provavelmente estarão mais ativas no próximo inverno. Para 2015, a ANVISA, com apoio da Organização Mundial de Saúde, já definiu que a vacina contra a gripe no Brasil terá atividade contra as seguintes variações do Influenza:

  • Influenza A/California.
  • Influenza A/Switzerland.
  • Influenza B/Phuket.
  • Influenza B/Brisbane.

Como a vacina é feita com proteínas específicas do vírus, ela também pode ser eficaz contra diversas outras cepas do Influenza. Por exemplo, a composição da vacina de 2015 também será efetiva contra as cepas de Influenza A/South Australia, A/Norway, A/Stockholm e o H1N1 de 2009, pois todas elas possuem os antígenos que estarão presentes na vacina.

Quem deve tomar a vacina contra gripe?

Qualquer pessoa com mais de 6 meses de idade pode receber a vacina contra a gripe. Porém, há certos grupos que devem receber prioridade nas campanhas de vacinação, pois são eles que apresentam maior risco de desenvolverem complicações. No caso da gripe, o objetivo das campanhas de vacinação não é eliminar a circulação do vírus, mas sim reduzir a incidência de complicações e, consequentemente, o número de óbitos.

Por isso, o público-alvo destas campanhas são profissionais de saúde, indivíduos com mais de 60 anos, crianças entre seis meses e cinco anos de idade, gestantes durante o período de surto de gripe, indígenas, presos, portadores de doenças crônicas e transplantados.

Se você não faz parte do grupo alvo das campanhas e ainda assim deseja se imunizar contra gripe, não há problema nenhum. A vacina praticamente não apresenta contraindicações. Procure o seu médico ou centro de saúde de saúde e informe-se.

Contraindicações à vacina contra gripe

Praticamente todas as pessoas com mais de 6 meses de vida podem ser vacinadas contra a gripe. Em alguns países existe a vacina contra gripe feita com vírus vivo atenuado. Esta vacina possui contraindicações próprias que não serão abordadas neste texto. Nós vamos nos ater apenas à vacina feita com vírus morto, que é a vacina habitualmente utilizada nas campanhas de vacinação.

A principal contraindicação à vacinação contra a gripe é a alergia ao ovo. Como o preparo da vacina utiliza ovos de galinha, as pessoas alérgicas podem desenvolver reações. Se você for alérgico a ovo, não tome a vacina da gripe sem orientação médica.

Também deve haver alguma precaução em relação às pessoas que já tiveram síndrome de Guillain-Barré (SBG). Na verdade, o risco de desenvolvimento desta doença após a vacina da gripe é extremamente baixo, cerca de 1 caso a cada 1 milhão de doses. Isso significa que o risco de se ter uma complicação da gripe é bem mais alto que o risco de desenvolver Guillain-Barré após a vacinação. Se você já teve SGB e faz parte do grupo de risco da gripe, converse com o seu médico sobre os riscos e benefícios da vacina.

Indivíduos com doenças febris agudas não devem tomar a vacina até estarem completamente recuperados.

Efeitos colaterais da vacina contra gripe

As vacinas contra a gripe compostas por vírus mortos são geralmente bem toleradas, sendo o efeito colateral mais comum a dor e a inflamação no local da injeção. Nos estudos clínicos, os eventos adversos graves foram muito raros.

Outros efeitos adversos que podem ocorrer, mas são incomuns e geralmente de curta duração, incluem: dor de cabeça, febre, náuseas, tosse, irritação no olhos e dor muscular. Existem casos descritos de desmaios entre adolescentes, mas estes parecem estar mais ligados ao medo de agulha do que à vacina em si.

Perguntas mais comuns

1- É possível pegar gripe através da vacina?

Não. A vacina é feita com fragmentos do vírus. Não há nenhuma possibilidade de alguém ficar gripado devido à vacinação.

2- A vacina da gripe também previne resfriados?

Não, apesar de terem sintomas parecidos, a gripe e o resfriado são infecções diferentes, causados por vírus diferentes (leia: DIFERENÇAS ENTRE GRIPE E RESFRIADO).

3- Mesmo vacinado é possível ficar gripado?

Sim, a vacina cobre as principais cepas, mas não cobre todas. A taxa de sucesso é de cerca de 70 a 90%. Porém, a maioria das pessoas que refere ter ficado gripada mesmo tendo se vacinado, na verdade apresentam quadros de resfriado. Como a maioria da população não sabe distinguir uma gripe de um resfriado, essa confusão é frequente.

4- Grávidas podem receber a vacina da gripe?

Sim, não só podem como devem.

5- Pessoas imunossuprimidas, como portadores de HIV ou transplantados, podem ser vacinados.

Sim, não só podem como devem.

6- Posso tomar a vacina em qualquer altura do ano?

Até pode, mas como o pico de eficácia da vacina ocorre nos primeiros 3 meses, o ideal é tomá-la logo antes do inverno, que é a época que os surtos de gripe costumam surgir. Tomar a vacina muito antes da época de surto pode fazer com que a sua eficácia não seja a pretendida.

7- Se eu for viajar para o hemisfério norte, a vacina brasileira é eficaz?

Apenas parcialmente, pois as cepas selecionadas não são as mesmas. Nesse ano de 2015, por exemplo, das 4 cepas escolhidas na vacina brasileira, somente 2 estão presentes na vacina americana e europeia. Por outro lado, se a viagem for para outro país do hemisfério sul, a cobertura é total, pois a composição da vacina costuma ser a mesma.

8- A vacina da gripe interfere com alguma outra vacina?

Não, a vacina da gripe pode ser administrada no mesmo dia ou próxima de outras vacinas.

9- Quanto tempo demora para a vacina da gripe ter efeito?

Pelo menos 2 semanas são necessárias para que os anticorpos induzidos pela vacina possam ser produzidos.

10- É mesmo preciso se vacinar todos os anos?

Sim, a vacinação precisa ser reforçada todos os anos. A vacina que você tomou em 2014 não vai lhe proteger durante o surto de gripe do inverno de 2015.

11- Não faço parte do grupo de risco. Ainda assim preciso me vacinar?

Precisar não precisa, pois o risco de complicações da gripe no seu caso é muito baixo. Porém, como a taxa de efeitos adversos da vacina é muito baixa, você estará mais seguro se for vacinado. Na avaliação entre prós e contras, o prós saem vencedores com larga vantagem.

12- Você conhece alguém que já tenha sido vacinado?

Sim, eu. Por ser profissional de saúde, eu tomo a vacina contra gripe anualmente desde 2010, sem nunca ter tido qualquer problema.

Este post também está disponível em: Espanhol


O citomegalovírus, conhecido também pela sigla CMV, é um vírus da família do Herpes, extremamente comum, capaz de provocar uma infecção chamada citomegalovirose. Em algumas populações, princialmente nos países em desenvolvimento, o número de adultos que já tiveram contato com o vírus aproxima-se de 100%. Mesmo em países como a Finlândia e os EUA, o percentual de adultos infectados pelo CMV é maior que 80%.

Apesar de ser um vírus altamente contagioso e com altíssimas taxas de infecção entre a população, o fato é que a maioria das pessoas nem sequer desconfia que já foi contaminada com o citomegalovírus. Isto ocorre porque a citomegalovirose é uma infecção muito branda, praticamente assintomática, na maioria das pessoas que possuem um sistema imunológico saudável.

Se nos indivíduos saudáveis o CMV é praticamente inofensivo, o mesmo não pode ser dito para pacientes imunossuprimidos ou mulheres grávidas. A infecção pelo CMV durante a gravidez não costuma causar sintomas na mãe, mas é muito perigosa para o feto, pois está associada a um maior risco de má-formações congênitas ou grave infecção nos primeiros meses de vida.

Neste artigo vamos explicar as consequências da infecção pelo citomegalovírus durante a gravidez. Vamos abordar também as formas de transmissão do vírus, o que significam as sorologias IgG e IgM para citomegalovírus e o que pode ser feito quando uma mãe se contamina na gestação.

Citomegalovírus na gravidez

Como já referido na introdução do artigo, o grande problema da infecção pelo citomegalovírus durante a gravidez não é em relação à saúde da mãe, mas sim o risco de complicações para o feto.

Existem duas formas de ter citomegalovirose, a mais comum é a chamada infecção primária, que ocorre quando um indivíduo que nunca teve contato com o CMV contamina-se pela primeira vez. Uma vez infectado pelo CMV, o nosso sistema imunológico cria anticorpos que conseguem neutralizar o vírus, impedindo a sua replicação. Todavia, assim como ocorre com outros vírus da família Herpes, o vírus é neutralizado, mas não é totalmente eliminado do organismo. Se ao longo do anos o paciente apresentar algum enfraquecimento da sua imunidade, o CMV pode conseguir se reativar, voltando a se multiplicar. Essa reativação do vírus em alguém que já teve a doença anos atrás é a segunda forma possível de se ter citomegalovirose.

O risco de infecção do feto é muito maior nos casos de infecção primária durante a gravidez do que nos de reativação do vírus. Na verdade, enquanto 40% dos bebês de mães que tiveram a infecção primária durante a gravidez nascem contaminados pelo CMV, apenas 1% nasce contaminado quando a mãe previamente contaminada apresenta uma reativação do vírus na gestação.

Transmissão do CMV

A grande maioria dos bebês infectados pelo CMV são contaminados durante a gravidez, pois o vírus é capaz de se multiplicar na placenta e infectar o feto. Há, porém, outras formas de contaminação do bebê, como, por exemplo, durante o parto vaginal, devido ao contato com sangue e secreções maternas, ou durante os primeiros dias de vida, por transmissão do vírus pelo leite materno.

Em relação à mãe, a contaminação de dá como em qualquer outro indivíduo. O citomegalovírus pode ser encontrado em diversas partes do organismo, incluindo urina, sangue, secreções das vias aéreas, secreções vaginais, sêmen, fezes, lágrimas e leite materno. Desta forma, a transmissão pode ocorrer através de relações sexuais, contato próximo devido à transmissão através das vias respiratórias, doação de sangue, alimentos preparados com mãos mal higienizadas, etc.

Há evidências de que o CMV das secreções respiratórias possa sobreviver no ambiente por períodos variáveis, dependendo da superfície. Por exemplo, o CMV pode permanecer viável em metal e madeira por uma hora, em vidro e plástico por três horas, e em borracha, pano e biscoito por até seis horas.

Sintomas da citomegalovirose congênita

O sintomas da infecção congênita pelo CMV dependem da via de transmissão e do trimestre de gestação que ocorreu a contaminação. Quanto menor for a idade gestacional, maiores são as chances de lesões graves do feto.

90% dos bebês contaminados pelo CMV durante a gravidez nascem sem nenhum sinal ou sintoma. No entanto, até 15% destas crianças que aparentemente não apresentam problemas podem ter perda auditiva progressiva, que na maioria das vezes é unilateral, mas pode também acometer os dois ouvidos. Os programas de triagem auditiva nos primeiros dias de vida podem conseguir identificar precocemente alguns desses recém-nascidos infectados pelo CMV. No entanto, a perda auditiva associada à infecção congênita pelo citomegalovírus pode só surgir após vários meses ou anos.

Aproximadamente 10% dos recém-nascidos infectados congenitamente pelo CMV já apresentam sintomas da infecção desde o nascimento. Além da perda auditiva progressiva, as outras manifestações precoces do CMV nos recém-nascidos são: bebês de tamanho pequeno, hepatoesplenomegalia (aumento do tamanho do fígado e do baço), anemia, petéquias e púrpura (pequenas manchas violáceas na pele) e icterícia (pele amarelada). Pelo menos dois terços dos recém-nascidos com infecção congênita por CMV sintomática terão envolvimento neurológico, incluindo microcefalia, convulsões, anormalidades cerebrais e dificuldades de alimentação. Alterações oculares graves também são muito comuns.

Os bebês contaminados bem no final da gravidez ou durante o parto costumam nascer saudáveis, porém, podem desenvolver os primeiros sintomas do CMV a partir da 3ª semana de vida. Alguns bebês, contudo, demoram até 6 meses para apresentar os primeiros sinais e sintomas da citomegalovirose.

Como o bebê nos primeiros anos de vida possui um sistema imunológico muito imaturo, ele encontra-se muito susceptível a ter uma forma grave de citomegalovirose. Entre os problemas possíveis, encontram-se lesões do fígado, anemia, pneumonia e colite necrosante.

Diagnóstico do CMV: o que são IgG e IgM?

Sorologia é o nome do exame usado para identificar a presença de determinados anticorpos no nosso sangue. A sorologia é um método indireto de identificar uma infecção. Uma vez que só podemos desenvolver anticorpos contra germes que já nos contaminaram, ter sorologia positiva contra o CMV, por exemplo, significa que o paciente já teve citomegalovirose em algum momento da vida (mesmo que a doença tenha sido completamente assintomática).

A sorologia pesquisa dois tipos de anticorpos, a imunoglobulina G (IgG) e a imunoglobulina M (IgM). Quando entramos em contato pela primeira com algum micróbio, o sistema imunológico produz de forma relativamente rápida, dentro de alguns dias, anticorpos do tipo IgM. O IgM é um anticorpo de fase aguda, presente durante a fase ativa da infecção. Após a cura, o sistema imunológico passa a produzir outro tipo de anticorpo, o IgG. O IgG é um anticorpo de memória, utilizado pelo organismo para impedir que o paciente volte a se infectar pelo mesmo micróbio. Portanto, ter IgM circulando no sangue é um sinal de doença em fase aguda, enquanto que ter IgG reagente indica que o paciente teve a doença no passado e agora encontra-se imune à mesma.

Na maioria das infecções, a lógica dos anticorpos IgM e IgG é simples, conforme acabamos de explicar. Na citomegalovirose, porém, a situação é um pouco mais complexa.

No caso da infecção pelo CMV, os primeiros anticorpos do tipo IgM surgem dentro de 2 semanas e podem demorar até 12 meses para desaparecer. Isso significa que uma grávida de 2 meses pode fazer a sorologia, encontrar anticorpos IgM positivos, mas não ter sido infectada pelo CMV durante a gravidez, mas sim meses antes. Se a gestante não tiver tido sintomas, fica difícil saber se a infecção pelo CMV é recente ou ocorreu já há alguns meses.

A dosagem dos anticorpos tipo IgG ajuda um pouco a esclarecer essa situação. Os primeiros anticorpos IgG surgem cerca de 3 semanas após a infecção, aumentam de concentração durante algumas semanas e depois se estabilizam, permanecendo detectáveis para sempre no sangue. Portanto, se a gestante faz duas dosagens de IgG com 4 semanas de intervalo e o valor aumenta cerca de 4 vezes de uma para outra, isso é um sinal de infecção recente. Por outro lado, se os valores de IgG reagente forem semelhantes com 4 semanas de intervalo, isso significa um IgG já na fase estável, o que indica infecção antiga.

Mas a confusão não acabou ainda. Nos pacientes com reativação do CMV, os títulos de IgM e IgG podem se elevar da mesma forma que ocorre na infecção primária. Portanto, se a situação sorológico prévia da gestante não for conhecida, o fato dela ter um IgM reagente não ajuda muito, pois isso pode significar:

1- uma infecção antiga, que ocorreu há vários meses, mas que ainda tenha IgM positivo circulante.

2- uma infecção primária recente e, portanto, com risco de problemas para o feto.

3- uma reativação de um CMV antigo, situação que acarreta um risco mais baixo de complicações para o bebê do que a infecção primária.

Pelos motivos explicados acima, muitos obstetras não pedem de rotina a sorologia contra CMV, caso as gestantes sejam completamente assintomáticas. Na verdade, apesar da sorologia poder criar alguma confusão, principalmente ser vier com IgM positivo, ela pode ser útil na situação oposta, ou seja, quando a gestante tem um IgM negativo e um IgG positivo. Neste caso, isso significa que a grávida já teve CMV no passado, havendo um risco muito baixo dela desenvolver citomegalovirose durante a gravidez.

Tratamento do CMV na gravidez

Não há tratamento comprovadamente efetivo que impeça a ocorrência de doença no feto caso a mãe se contamine com CMV durante a gravidez. Felizmente, na maioria dos casos, mesmo quando a mãe se contamina no primeiro trimestre, os bebês nascem saudáveis.

O papilomavírus humano, mais conhecido pela sigla HPV, é um vírus que pode ser transmitido pela via sexual ou pelo contato direto com a pele.

O HPV é responsável pelo aparecimento das verrugas comuns da pele e pelas verrugas genitais, conhecidas também como condiloma acuminado ou crista de galo. Mas o que o torna o HPV um vírus de grande relevância médica é o fato dele estar relacionado a praticamente 100% dos casos de câncer de colo do útero, um dos tipos de câncer mais comuns na população feminina.

Neste artigo vamos explicar o que é o vírus HPV, como ele é transmitido, quais são os seus sintomas e complicações, quais são as opções de tratamento e as suas chances de cura.

O que é o HPV

O HPV é um vírus que infecta exclusivamente os seres humanos e ataca as células do epitélio da pele e da mucosa. A ação do vírus sobre as células da pele favorece a formação de tumores, a maioria deles pequenos e benignos, tais como as verrugas comuns de pele ou as verrugas genitais. Porém, quando área infectada é a mucosa do colo do útero, da vagina, do pênis ou do ânus, o vírus pode induzir a formação de tumores malignos, gerando, por exemplo, o câncer do colo do útero e o câncer anal.

Existem mais de 150 subtipos de HPV. Cada subtipo do vírus tem atração por uma determinada área do corpo. Por exemplo, o HPV- 2 e o HPV-4 estão associados às verrugas comuns de pele, enquanto o HPV-1 provoca verrugas que acometem preferencialmente  as plantas dos pés. Já o HPV-6 e o HPV-11 estão relacionados ao desenvolvimento das verrugas genitais. O câncer do colo uterino pode ser provocado por vários subtipos, conforme veremos a seguir, mas a maioria dos casos ocorre quando a mulher se infecta com o HPV-16 ou o HPV-18.

Cânceres relacionados ao HPV

Como já referido, o que torna o HPV um problema sério de saúde pública é a sua capacidade de provocar alguns tipos de câncer. 99% dos cânceres de colo de útero, 93% dos cânceres de ânus, 60% dos cânceres da vulva e 50% dos cânceres de pênis e vagina estão relacionados à infecção pelo HPV. Raramente, o HPV também é capaz de provocar câncer da laringe, da boca, dos seios nasais e do esôfago.

Dentre todos esses cânceres citados, o câncer do colo uterino é disparado o mais comum, motivo pelo qual é muito mais frequente ouvirmos falar sobre a sua associação com o HPV do que em relação aos outros tipos de câncer.

Todavia, é importante frisar que nem toda infecção pelo HPV leva à formação de um tumor maligno. Dentre os mais de 150 subtipos de HPV conhecidos, alguns são considerados mais perigosos, como os subtipos 16, 18, 31, 33, 35, 39, 45, 51, 52, 56, 58, 59 e 68, enquanto outros são menos agressivos, com baixo risco de transformação maligna, como os subtipos 6, 11, 40, 42, 43, 44, 53, 54, 61, 72, 73 e 81.

Na verdade, cerca de 70% dos casos de câncer do colo de útero são provocados por apenas 2 subtipos, 50% pelo HPV-16 e 20% pelo HPV-18. O HPV-16 também está por trás da maioria dos casos de câncer anal, peniano, vaginal, vulvar e de alguns tipos de câncer da orofaringe, sendo este, portanto, o subtipo de HPV mais perigoso, tanto para homens quanto para mulheres.

Além do subtipo do HPV, outro fator importante para a geração de um tumor maligno é o tempo de infecção. A maioria das pessoas contaminadas pelo HPV consegue se livrar espontaneamente do vírus após 1 ou 2 anos. Para tanto, basta ter um sistema imunológico capaz de lidar com o HPV. Cerca de 10% dos indivíduos contaminados, porém, desenvolvem o que chamamos de infecção persistente. São essas as pessoas que apresentam o maior risco de terem câncer.

O HPV precisa de 10 a 20 anos para conseguir provocar alterações celulares capazes de gerar um tumor maligno. Por isso, exames de rastreio do câncer do colo do útero, como o famoso exame Papanicolau (exame ginecológico preventivo), são essenciais para que possamos identificar a ocorrência de alterações pré-malignas, que surgem anos antes do tumor maligno aparecer.

Se você quiser entender como funciona o exame Papanicolau e o que significam as siglas NIC-1,NIC-2 e NIC-3, acesse o seguinte link: EXAME PAPANICOLAU ? ASCUS, LSIL, NIC1, NIC 2 e NIC 3.

Formas de transmissão do HPV

Os HPV que infectam a pele e provocam as verrugas comuns são normalmente contraídos quando há pequenas lesões da pele, como cortes ou arranhões, que permitem a invasão do vírus para dentro do organismo. A transmissão é feita, portanto, com o contato de pele com pele.

Os subtipos de HPV que provocam as verrugas comuns não têm relação com os cânceres que ocorrem na mucosa da genitália, do ânus ou do colo do útero, pois eles não têm capacidade de infectar esta região. O oposto também é verdadeiro, já que os subtipos que habitualmente provocam lesão das mucosas não costumam atacar a pele.

Entretanto, existem algumas exceções à regra acima. Alguns subtipos capazes de provocar verrugas na pele também podem, eventualmente, provocar verrugas genitais, tais como o HPV-1, HPV-2 e HPV-4. Esses subtipos, porém, raramente causam verrugas genitais e quando o fazem têm baixa capacidade de gerar tumores malignos.

O contágio das mucosas da vagina, vulva, ânus, pênis e colo do útero se dá através da via sexual. Muitos não sabem, mas a infecção pelo HPV é a doença sexualmente transmissível mais comum em todo o mundo, muito mais frequente que AIDS, gonorreia, sífilis ou qualquer outra DST famosa.

A transmissão do HPV pelo sexo oral é possível, mas é bem menos comum do que a transmissão através do sexo vaginal ou anal. Alguns casos de câncer da orofaringe, laringe e esôfago estão relacionados a este tipo de contaminação.

Exceto pelo compartilhamento de objetos sexuais, a transmissão do HPV por outros tipos de objetos inanimados, como toalhas, roupa de cama ou roupas íntimas, não parece ocorrer. Da mesma forma, não se pega HPV em banheiros públicos, piscina, sauna ou praia.

Sintomas do HPV

Como já explicado, cada subtipo de HPV tem preferência por determinada área do corpo:

  • Os subtipos 1, 2, 4, 26, 27, 29, 41, 57, 65 e 75 a 78 costumam causar as verrugas comuns de pele.
  • Os subtipos 3, 10, 27, 28, 38, 41 e 49 também provocam verrugas na pele, mas são geralmente as chamadas verrugas planas.
  • Os subtipos 1, 2, 4, 60, 63 provocam as verrugas nas plantas dos pés.
  • Os subtipos subtipos 1 a 6, 10, 11, 16, 18, 30, 31, 33, 35, 39 a 45, 51 a 59, 70 e 83 podem provocar verrugas genitais ou anais (condiloma acuminado). Obs: 90% dos casos de verrugas genitais são provocados pelos subtipos 6 e 11.

Os HPV-16 e HPV-18, que são aqueles mais relacionados ao câncer do colo do útero, não costumam provocar sintoma algum. A imensa maioria das mulheres contaminadas com HPV nem sequer desconfia que tenha o vírus. O diagnóstico da infecção ocorre geralmente através do exame ginecológico preventivo.

Diagnóstico do HPV

Nos casos das verrugas de pele ou genitais, o diagnóstico do HPV é clínico, através de um simples exame físico. Basta identificar a presença da verruga, não são necessários outros testes. No caso específico das verrugas genitais, apesar do diagnóstico do HPV ser óbvio, é importante que o(a) paciente seja testado(a) para outras DST, pois é muito comum que uma pessoa tenha mais de uma DST ao mesmo tempo.

Já o diagnóstico do HPV nas mulheres com o colo do útero infectado é mais complexo. Não há sintomas e nem sempre os achados no exame Papanicolau são característicos de infecção pelo HPV. Para pesquisar a presença do vírus, o ginecologista precisa colher durante o exame ginecológico uma pequena amostra de material do colo do útero e do interior da vagina. Esse material é enviado para o laboratório para que o mesmo possa procurar pela presença do HPV. Se houver HPV presente, o laboratório é capaz de informar qual é o subtipo do vírus responsável pela infecção.

Tratamento do HPV

Como já referido anteriormente, cerca de 90% das infecções pelo HPV curam-se sozinhas após 1 ou 2 anos.

Na verdade, o HPV possui uma característica curiosa: é uma infecção que não tem tratamento, mas tem cura. Não existem medicamentos que matem o vírus ou acelerem o processo de cura. A única opção é esperar que o sistema imunológico elimine espontaneamente o vírus com o passar do tempo.

Nos pacientes que desenvolvem verrugas, o tratamento é voltado apenas para a eliminação da lesão. Quando a verruga é removida isso não significa que o vírus tenha sido eliminado do organismo. O paciente continua infectado e pode desenvolver novas verrugas enquanto o HPV estiver presente.

A situação é igual à das mulheres que desenvolvem lesões pré-malignas (neoplasias intraepiteliais) do colo do útero. Quando uma lesão pré-maligna é identificada, o ginecologista a remove cirurgicamente, mas isso não significa que a paciente ficou curada do HPV. Se ela permanecer infectada, novas lesões potencialmente malignas podem surgir ao longo dos anos.

Falamos com mais detalhes sobre o tratamento e a cura do HPV no seguinte artigo: O VÍRUS HPV TEM CURA?.

Prevenção do HPV

Apesar de ser uma importante medida de prevenção, a camisinha não é 100% eficaz contra a transmissão do HPV. Isso ocorre porque o vírus pode estar presente em áreas da genitália que não ficam cobertas pelo preservativo.

Para haver real prevenção da infecção pelo vírus, a melhor opção é a vacina. Existem 2 vacinas contra o HPV, uma que protege contra os subtipos 16 e 18, os mais perigosos para o câncer de colo do útero, e outra que protege contra os subtipos 16, 18, 6 e 11, eficaz contra o câncer do colo do útero e contra as verrugas genitais.

As vacinas contra HPV são muito eficazes, com taxas de sucesso acima de 95%, principalmente quando administradas em meninas jovens, que ainda não começaram a sua vida sexual e, portanto, nunca tiveram contato com o vírus HPV.

Apesar da frequentes campanhas obscurantistas e caluniosas que tentam desqualificar a importância da vacinação, o fato é que a vacina contra o HPV apresenta sólida base científica, tanto na questão da eficácia quanto da sua segurança.

Não deixe de ver também esse curto vídeo, produzido pela equipe do MD.Saúde, que explica de forma simples a vacinação contra o HPV.

Para saber mais sobre a vacina contra o HPV, leia: VACINA CONTRA HPV | Eficácia, efeitos e indicações.

O eritema infeccioso é uma infecção contagiosa de origem viral, que é capaz de provocar febre e erupções pelo corpo. Esta virose acomete preferencialmente as crianças em idade escolar, mas pode também atingir a população adulta.

O eritema infeccioso é provocada por um vírus chamado Parvovírus B19, motivo pelo qual ele também pode ser chamado de parvovirose. O eritema infeccioso também é conhecido por outros nomes, sendo os mais comuns, quinta moléstia ou síndrome da face esbofetada.

Neste artigo vamos explicar o que é o eritema infeccioso, quais são os seus sintomas, suas formas de transmissão e as opções de tratamento.

O que é o eritema infeccioso (quinta moléstia)

Como já referido na introdução do artigo, a quinta moléstia é uma infecção de origem viral, cuja população mais acometida são as crianças entre 5 e 15 anos. Cerca de 70% dos indivíduos chegam à idade adulta já possuindo anticorpos contra o parvovírus B19, motivo pelo qual esta virose é bem menos comum nesta faixa etária. Todavia, quem conseguiu passar toda infância e adolescência sem se infectar com o vírus, pode vir a desenvolver o eritema infeccioso em qualquer ponto da vida adulta.

O parvovírus B19 é um vírus que só consegue infectar os humanos. Ele é diferente do parvovírus canino, que é capaz de provocar grave infecção nos cães, mas é completamente inofensivo para os seres humanos. Portanto, o parvovírus humano não passa para os cães, da mesma forma que o parvovírus canino não é contagioso para os humanos.

O eritema infeccioso é a forma de apresentação clínica mais comum da infecção pelo parvovírus B19, mas não é a única. A infecção pelo parvovírus B19 costuma ser benigna e assintomática na maioria dos casos, mas pode provocar graves quadros de anemia e aplasia da medula óssea em pacientes imunossuprimidos, grávidas (grave para o feto) e portadores de anemia falciforme (leia: ANEMIA FALCIFORME | TRAÇO FALCIFORME). Neste artigo nós vamos nos ater apenas ao eritema infeccioso.

Transmissão do parvovírus B19

A forma de transmissão mais comum do parvovírus B19 é através do contato com secreções das vias aéreas. Este fato é interessante porque muitos dos pacientes com eritema infeccioso podem não apresentar sintomas respiratórios. Mesmo na ausência de espirros, tosse, coriza ou qualquer outro sintoma respiratório, é possível encontrar o parvovírus B19 em grandes quantidades na saliva dos pacientes doentes. Essa existência do vírus nas secreções orais faz com a transmissão possa ocorrer através do beijo, de gotículas de saliva durante uma conversa (perdigotos), de mãos contaminadas, de copos e talheres contaminados, da roupa de cama, etc. Como o vírus é capaz de sobreviver muitas horas no ambiente, a transmissão através de objetos inanimados recentemente manuseados por pessoas contaminadas é uma forma muito comum de contágio.

O paciente torna-se contagioso de 5 a 10 dias após ter sido contaminado, e assim permanece por cerca de 5 dias. Como o período de incubação pode durar entre 4 a 14 dias, em muitos casos, no momento em que o paciente está mais contagioso, ele ainda encontra-se assintomático. O surgimento dos sintomas coincide com o aparecimento dos anticorpos, que são os responsáveis por acabar com a fase contagiosa da doença. Portanto, em geral, o paciente quando apresenta as clássicas erupções de pele já não encontra-se mais contagioso.

Outra forma de transmissão do parvovírus B19 é a chamada transmissão vertical, que é aquela que ocorre da mãe para o feto. Uma mulher que nunca tenha tido eritema infeccioso e que se infecta durante a gravidez pode transmitir o vírus para o feto. Se essa transmissão ocorrer nas primeiras 20 semanas de gestação, há um risco aumentado de abortamento.

Gestantes que já tiveram contato com o parvovírus durante a infância, mesmo que não tenham desenvolvido sintomas, estão imunes ao vírus e não correm risco de terem problemas na gravidez.

O parvovírus B19 também pode ser transmitido através da transfusão de sangue.

Sintomas do eritema infeccioso

A maioria dos pacientes que tem contato com o parvovírus B19 pela primeira vez não desenvolve nenhum tipo de sintoma. Outros apresentam um quadro muito brando, parecido com qualquer resfriado comum. O resultado é que, apesar de 70% dos adultos já terem tido algum tipo de contato com o vírus,  apenas uma minoria tem conhecimento de tal fato.

Nos pacientes que desenvolvem sintomas do eritema infeccioso, o quadro começa como uma virose inespecífica, com sintomas comuns, tipo coriza, febre baixa, dor de garganta, espirros, dor de cabeça, tosse, mal estar, coceira pelo corpo e dor nas articulações. Esse quadro inicial, chamado de pródromo, dura de 2 a 3 dias e depois desaparece.

Dois a sete dias após a fase prodrômica, os sintomas voltam, desta vez sob a forma de erupção da pele, chamado de exantema ou rash. O rash do eritema infeccioso comporta-se tipicamente em 3 fases.

Fase 1 – o exantema inicia-se pela face, dando ao paciente uma aparência de “face esbofetada”. Esse rash é caracteristicamente bem avermelhado, acometendo ambas as bochechas e com discreto relevo. Em geral, as áreas ao redor do nariz, boca e olhos são poupadas.

Esse rash facial é mais comum nas crianças que nos adultos e costuma durar de 2 a 4 dias. Ele não é doloroso, mas pode causar alguma coceira.

Fase 2 – 1 a 4 dias após o exantema facial, o rash espalha-se pelo corpo. Nesta fase, as lesões de pele adquirem uma aparência muito característica, que é chamada de rash reticular ou rash em forma de renda, como pode ser visto na foto ao lado. O rash reticular é mais comum nas crianças do que nos adultos.

No adultos, os sintomas do eritema infeccioso podem ser diferentes. Além do rash frequentemente não ter a típica aparência reticular, podendo ser facilmente confundido com rash da rubéola, da escarlatina ou de alergias de pele, alguns adultos podem até não desenvolver rash algum.

Enquanto mais de 75% das crianças apresentam exantemas, menos 50% dos adultos o fazem.

Em algumas pessoas, principalmente nas mulheres adultas, o sintoma mais importante, e, às vezes, único, da infecção pelo parvovírus B19 é uma intensa dor articular, habitualmente com sinais de artrite (dor, calor e inchaço nas articulações). Mãos, punhos, joelhos, tornozelos e pés são os locais mais acometidos.

O acometimento articular costuma durar de 1 a 2 semanas, mas, em alguns casos, pode demorar meses para sumir completamente.

Fase 3 – após a fase aguda do exantema, que dura de 1 a 3 semanas, o paciente pode ainda passar semanas, ou até meses, experimentando recorrências do rash, principalmente após contato com água quente, exposição solar excessiva, dias muito quentes, estresse psicológico ou exercício físico intenso.

Após a cura, o paciente torna-se imune à doença.

Diagnóstico do eritema infeccioso

Quando o quadro clínico é muito característico, com o rash facial tipo esbofetada e o rash reticular no corpo, o diagnóstico pode ser feito apenas de forma clínica, através dos sintomas.

Nos casos no quais há dúvidas, o médico pode solicitar uma sorologia para parvovírus B19, que é um exame de sangue que pesquisa a presença de anticorpos contra o vírus. Quando o paciente apresenta as lesões de pele e/ou as dores articulares, já costumam haver anticorpos específicos contra o parvovírus B19 circulando no sangue.

Tratamento da eritema infeccioso

Na imensa maioria dos casos, o eritema infeccioso é uma doença benigna e autolimitada, que cura-se sozinha sem a necessidade de nenhum tipo de tratamento.

Se o paciente queixa-se de coceira ou dor articular, medicamentos sintomáticos, como um anti-histamínico ou analgésicos podem ser prescritos para aliviar os sintomas.

 


O Zika vírus (ZIKV) é um vírus da família Flaviviridae, o mesmo da dengue e da febre amarela. Ele é responsável por uma doença chamada febre Zika, que apresenta sinais e sintomas similares aos da dengue, porém mais brandos. E as semelhanças não acabam por aqui, a febre Zika também é uma infecção típica de países de clima tropical, transmitida através de mosquitos, como o Aedes aegypti.

A febre Zika é uma doença nova no Brasil. Como esse vírus é transmitido por um mosquito presente em boa parte do território nacional e nunca havia circulado na população brasileira, o que significa dizer que as pessoas não têm imunidade contra essa virose, a doença rapidamente se espalhou por vários estados do país.

Neste artigo vamos explicar o que é a febre Zika, quais são os seus sintomas, formas de transmissão, métodos diagnósticos e opções de tratamento. Vamos falar também sobre os casos de microcefalia associados ao vírus Zika.

Se você procura informações sobre outras viroses transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, acesse os seguintes links abaixo:

DENGUE – Sintomas e tratamento.
FEBRE AMARELA – Vacina, transmissão e sintomas.
FEBRE CHIKUNGUNYA ? Sintomas, transmissão e tratamento.

O que é o Vírus Zika / Febre Zika

O vírus Zika é responsável pelo desenvolvimento de uma doença febril, que costuma apresentar um quadro clínico semelhante ao da febre Chikungunya, que é uma espécie de dengue mais branda.

O vírus Zika foi identificado pela primeira vez em 1947, em Uganda, em um macaco rhesus que estava sendo utilizado em uma pesquisa sobre febre amarela. Até aquele momento, o vírus era desconhecido e não havia casos relatados de infecção nos seres humanos. A primeira descrição de febre Zika em humanos ocorreu em 1954, na Nigéria. Desde de então, casos esporádicos de febre Zika têm sido descritos em países da África tropical e sudeste da Ásia.

Em 2007, porém, o primeiro grande surto de febre Zika foi descrito na Micronésia, no Pacífico sul. De lá pra cá, várias ilhas do Pacífico sul têm apresentado casos frequentes de febre Zika, o que tem chamado a atenção das autoridades de saúde sobre uma possível disseminação do vírus por vários países da Oceania e da Ásia.

Inesperadamente, o vírus Zika foi descoberto no Brasil em Maio de 2015, na Bahia, trazido provavelmente por algum turista. Alguns especialistas acham que a introdução do vírus no Brasil se deu durante a maciça vinda de turistas na Copa do Mundo de 2014.

Transmissão da febre Zika

Assim como o vírus da febre amarela, o vírus Zika pode causar doença em seres humanos e macacos, sendo ambos um reservatório para a contaminação de mosquitos da família Aedes, tais como Aedes aegypti, Aedes africanus, Aedes apicoargenteus, Aedes furcifer, Aedes luteocephalus e Aedes vitattus. Destes, apenas o primeiro existe no Brasil. O Aedes albopictus, outro membro da família Aedes existente no Brasil, é também um provável vetor da febre Zika, apesar do isolamento do vírus neste mosquito ainda não ter sido demonstrado.

O Aedes aegypti infecta-se com o Zika vírus toda vez que ele pica uma pessoa ou macaco previamente infectado. Assim como ocorre na dengue e na febre amarela, o mosquito não torna-se imediatamente um transmissor do vírus. Após ser ingerido pelo mosquito, o Zika vírus ainda precisa de cerca de 10 dias para multiplicar-se e migrar do sistema digestivo para as glândulas salivares do Aedes. Só a partir deste momento é que o mosquito passa a ser capaz de transmitir o vírus durante a picada.

A febre Zika não é uma doença contagiosa, portanto, não é preciso impedir que o paciente infectado tenha contato com outras pessoas.

Se você quiser aprender a identificar o mosquito Aedes aegypti, acesse o seguinte link: RECONHEÇA O MOSQUITO AEDES.

Outras formas de transmissão do vírus Zika

O vírus Zika pode ser encontrada em fluidos biológicos, como leite materno, urina, sêmen e saliva. Isso NÃO significa, porém, que esses fluidos sejam necessariamente fontes de contaminação.

Até o momento, nenhum estudo conseguiu demonstrar que o vírus é capaz de se replicar no leite materno, o que sugere que há partículas do vírus no leite, mas não vírus viável para contaminação. Portanto, até o momento, não há dados clínicos que indiquem o vírus Zika seja transmitido pelo aleitamento materno. Deste modo, não motivos que justifiquem a suspensão da amamentação por parte de mães que vivem em áreas de epidemia.

A transmissão sexual do vírus Zika também é possível, apesar de ser menos comum que a transmissão por mosquitos. O vírus Zika pode ser encontrado no sêmen mesmo após a cura clínica do paciente, quando já não há mais vírus detectável no sangue. Há relatos de pacientes que ainda apresentavam o vírus nas secreções penianas 30 a 40 dias depois de terem tido o quadro de Zika. Já nas mulheres o vírus costuma permanecer nas secreções vaginais por menos tempo, ao redor de 11 dias após o desaparecimento dos sintomas.

Portanto, o mais prudente é que pessoas que tiveram Zika recentemente utilizem métodos contraceptivos de barreira, tais como a camisinha, durante cerca de 2 meses, que é o tempo máximo que o vírus costuma estar presente nas secreções genitais. Em casos de homens contaminados com esposas grávidas, a orientação é para o uso da camisinha durante toda a gestação.

Apesar do vírus poder ser encontrado na saliva, não existe nenhum caso relatado de transmissão da febre Zika através do contato com esse fluido, seja através de beijos, tosse ou espirro.

Sintomas da febre Zika

Após ser picado por um mosquito Aedes contaminado, o paciente leva de 3 a 12 dias (período de incubação) para começar a apresentar manifestações clínicas. Estima-se que apenas 1 em cada 5 pessoas contaminadas (20%) irá desenvolver sintomas da febre Zika.

Dentre aqueles que desenvolvem sintomas, o quadro costuma ser de febre baixa (por volta de 38-38,5ºC), dor de cabeça, dor muscular, dor nas articulações, principalmente as pequenas, como dedos das mãos e dos pés, conjuntivite, dor nos olhos, fotofobia, coceira na pele e rash (erupções avermelhadas na pele).

São sintomas menos comuns, mas também possíveis: dor abdominal, diarreia, prisão de ventre, aftas, tontura ou perda do apetite.

As manchas vermelhas que surgem na pele na febre Zika são chamadas de rash maculopapular, o que significa que são pequenas e múltiplas manchas avermelhadas com discreto relevo. Essas pequenas manchas pode se confluir, formando grandes manchas avermelhadas.

O rash da febre Zika costuma ser bem difuso, iniciando-se na face e depois disseminando-se pelo pescoço, tronco e membros. Algumas pessoas queixam-se de coceira intensa. Com 2 a 3 dias, o rash começa a melhorar e desaparece dentro de 1 semana.

A febre Zika é uma infecção benigna, que costuma durar de 2 a 7 dias e não provoca complicações hemorrágicas como a dengue. O quadro de dor nas articulações pode demorar até 1 mês para desaparecer.

A distinção entre a febre Zika, a febre Chikungunya e casos mais brandos de dengue apenas pelos sinais e sintomas é muito difícil de ser feita. Para tal, são necessários exames laboratoriais.

Complicações da febre Zika

Assim como ocorre em outras viroses, uma das complicações possíveis da febre Zika é o desenvolvimento da síndrome de Guillain-Barré (SGB), uma complicação de origem neurológica que causa progressiva e temporária perda de força muscular. Explicamos a SGB em detalhes neste artigo: SÍNDROME DE GUILLAIN-BARRÉ – Sintomas e tratamento.

Febre Zika na gravidez – Microcefalia

No dia 28 de Novembro de 2015, o Ministério da Saúde confirmou ser muito provável haver relação causal entre a febre Zika e casos de fetos com a microcefalia, uma malformação neurológica na qual o tamanho da cabeça do feto ou da criança é menor do que o esperado para a idade.

Essa achado é surpreendente, pois é a primeira vez no mundo que essa complicação é descrita. A febre Zika é comum em vários países da Ásia e da África, e esse tipo de malformação nunca havia sido relatada. Os casos no Nordeste brasileiro foram os primeiros a serem notificados.

Aparentemente, o risco de microcefalia é maior se a gestante contrair a febre Zika nos primeiros três meses de gravidez (primeiro trimestre), que é o momento em que o feto está sendo formado. O risco parece existir também, porém em menor grau, quando a virose é adquirida no 2º trimestre de gestação. A partir do 3º trimestre, o risco de microcefalia é baixo, pois o feto já está completamente formado.

O fato de uma gestante ter febre Zika durante a gestação não é garantia de que o feto terá malformações. Por ser uma complicação recentemente identificada, ainda não sabemos exatamente qual é o percentual de gestantes infectadas que acabam por ter filhos com microcefalia. Alguns estudos mais recentes sugerem um risco de 14% caso o vírus seja contraído ainda no primeiro trimestre nas mulheres brasileiras. Isso significa que 1 em cada 7 grávidas contaminadas terá um filho com microcefalia.

É importante destacar, porém, que estudos realizados com grávidas contaminadas pelo vírus Zika no primeiro trimestre na Polinésia Francesa detectaram uma risco muito mais baixo, de apenas de 1%. Nesta população, apenas 1 em cada 100 mulheres contaminadas pelo Zika no início da gravidez tiveram filhos com microcefalia. O porquê do risco de microcefalia ser muito maior no Brasil ainda é um mistério.

Pelo o que sabemos até o momento, as mulheres que tiveram a doença e ficaram curadas antes de engravidar não apresentam risco de terem fetos com microcefalia pelo vírus Zika. Porém, o intervalo de dias entre a infecção e a gravidez que pode ser considerado seguro ainda não é muito certo. Atualmente, baseado em estudos preliminares, sugere-se 8 semanas de intervalo após o desaparecimento dos sintomas para que a mulher volte a tentar engravidar, mas essa orientação ainda precisa ser confirmada por mais estudos.

Mulheres em áreas com surto de Zika devem evitar a gravidez?

Isso é um assunto polêmico. Apesar de alguns especialistas terem ido à televisão e aos jornais sugerir que as mulheres em áreas de surto não engravidem, o Ministério da Saúde não compartilha dessa mesma opinião. O fato é que se formos olhar com atenção aos números, vamos constatar que nos últimos 3 meses de 2015, época que em que os casos de microcefalia começaram a aumentar de forma alarmante, menos de 0,5% de todas as gestantes em áreas de surto tiveram comprovadamente bebês com microcefalia associada ao vírus Zika. Ou seja, mais de 99,5% das gestantes tiveram filhos nessas regiões sem problemas.

Portanto, apesar de ser uma situação que merece muita atenção, sugerir que a toda a população de várias regiões do Brasil deixe de engravidar parece ser uma solução radical demais no momento.

Diferenças entre febre Zika, Dengue e Chikungunya

Diferenças entre os sinais e sintomas da febre Zika, dengue e febre Chikungunya

Diagnóstico da febre Zika

O diagnóstico de certeza da febre Zika é feito através de um exame de sangue chamado sorologia para o Zika vírus. A sorologia consiste na pesquisa de anticorpos específicos contra o vírus Zika. A lógica por trás desse exame é a seguinte: só terá anticorpos contra o vírus Zika, as pessoas que já foram contaminadas pelo mesmo.

Os primeiros anticorpos contra o vírus Zika costumam surgir com 5 dias de doença. Em geral, sugere-se que o paciente faça o exame de sangue no 5ª dia de doença e depois repita-o após 2 a 3 semanas para que os níveis de anticorpos possam ser comparados.

A sorologia é o método mais simples, mas segundo o ministério da Saúde, esse método ainda não está disponível comercialmente no Brasil.

O diagnóstico dos casos de Zika no Brasil têm sido feito com uma técnica chamada de PCR, que pesquisa diretamente no sangue do paciente a presença de material genético do vírus. Esse exame é mais confiável, porém é mais caro e não está disponível em todos os locais, apenas nos laboratórios de referência do Ministério da Saúde.

Como a febre Zika é benigna e de curta duração, o diagnóstico acaba servindo muito mais para controle epidemiológico do que para auxílio no tratamento. Na verdade, quando o resultado do exame de sangue fica pronto, a grande maioria dos pacientes já não apresenta mais sintomas da doença.

Tratamento da febre Zika

A febre Zika é uma doença autolimitada, que cura-se espontaneamente em poucos dias. A doença não costuma provocar as complicações hemorrágicas comuns na dengue.

Não há nenhum tratamento específico para essa virose. O recomendado é repouso e ingestão de líquidos. Para o tratamento da dor e da febre, o mais recomendado é o paracetamol. Como é difícil a distinção da febre Zika com formas mais brandas ou iniciais de dengue, o  uso de ácido acetilsalicílico (aspirina) ou anti-inflamatórios é desencorajado.

Não há vacina para febre Zika, e o controle da doença na população passa pelo controle dos focos de Aedes aegypti.

Reinfecção pelo vírus Zika

Pessoas que já foram infectadas pelo vírus Zika desenvolvem imunidade contra a doença. Porém, ainda não sabemos se essa imunidade é para vida toda e se ela é suficiente para impedir que uma pessoa tenha mais de um episódio de febre Zika ao longo da vida.

A roséola infantil, também chamada de exantema súbito, é uma virose muito comum durante a infância, que manifesta-se através de erupções cutâneas (manchas vermelhas na pele) e febre. O exantema súbito é uma infecção viral benigna, que cura-se sozinha sem necessidade de tratamento e raramente provoca complicações.

Neste artigo vamos explicar os conceitos básicos do exantema súbito, incluindo os seus sintomas, suas causas, formas de transmissão, diagnóstico e opções de tratamento.

Para saber mais sobre outras causas comuns de febre e rash cutâneo, acesse o seguinte link: 10 Causas de Febre com Manchas Vermelhas na Pele.

O que é a roséola infantil

A roséola é uma uma virose benigna, de curta duração e com baixíssima taxa de complicações. O vírus responsável na maioria dos casos é o herpesvírus humano 6 (HHV-6), um vírus da família do herpes. Porém, a roséola também pode ser provocada por outros vírus, tais como, herpesvírus humano 7 (HHV-7), alguns enterovírus (coxsackievirus A, coxsackievirus B e echovirus), adenovírus e parainfluenza tipo 1.

A roséola infantil é uma infecção típica de bebês. Cerca de 75% dos casos ocorrem em crianças entre 6 meses e 1,5 ano de idade. Meninos e meninas são acometidos com igual frequência. Ao final da infância, praticamente todo mundo já terá tido algum contato com o vírus, mesmo aqueles que se infectaram, mas não chegaram a desenvolver os sintomas da roséola. Por isso, quadros de roséola em adultos são raros.

Transmissão da roséola infantil

A transmissão da roséola é feita habitualmente de pessoa para pessoa através do contato com secreções das vias respiratórias, principalmente pela saliva. Espirros, tosse, beijos, contato com perdigotos e brinquedos que vão à boca e são compartilhados com outras crianças são fontes potenciais de contágio.

Na maioria dos casos, os pacientes não conseguem identificar a origem da transmissão, pois esta se dá frequentemente através de indivíduos que são portadores assintomáticos do vírus. Explicando melhor: uma criança se contamina com o HHV-6, não desenvolve sintomas de roséola, mas passa vários dias sendo uma fonte de transmissão do vírus. Essa criança portadora assintomática pode passar o vírus para dezenas de outras crianças, principalmente se ela estiver frequentando uma creche. Dentre as crianças recém-infectadas, algumas irão desenvolver os sintomas da roséola, mas a maioria delas se transformará em novos portadores assintomáticos do vírus.

Sintomas da roséola infantil

Para aquele pequeno grupo que irá desenvolver sintomas, o período médio de incubação da roséola é de 10 dias. O quadro clínico inicia-se habitualmente com uma febre alta, que pode ultrapassar os 40ºC. A febre pode vir acompanhada de outros sinais e sintomas, tais como dor de ouvido, aumento dos linfonodos do pescoço, irritação, perda do apetite, nariz entupido, dor de garganta ou diarreia. Do mesmo jeito que surge subitamente, após 3 a 5 dias de temperaturas altas, a febre também vai embora rapidamente de uma hora para outra.

O sinal mais característico da roséola é o surgimento súbito de uma exantema (manchas vermelhas na pele) imediatamente após a resolução da febre, daí a doença também ser conhecida como exantema súbito. O rash da roséola não coça nem provoca dor.

O exantema da roséola inicia-se no tronco e depois espalha-se para membros e face. As lesões são habitualmente compostas por múltiplas pequenas manchas avermelhadas, de 0,5 centímetros, que podem ser planas ou com discreto relevo. O exantema dura de 1 a 2 dias, mas em alguns casos pode durar apenas poucas horas.

A roséola cura-se espontaneamente sem provocar complicações na maioria dos casos. Em algumas crianças, porém, a febre muito alta pode desencadear episódios de crise convulsiva. Apesar de ser um quadro bastante assustador para os pais, as crises são auto-limitadas e não provocam problemas maiores na imensa maioria dos casos.

Os vírus HHV-6 e HHV-7 também podem provocar uma outra forma de rash cutâneo, conhecido como pitiríase rósea. Este rash acomete preferencialmente crianças mais velhas e adultos jovens (leia: PITIRÍASE RÓSEA ? Sintomas e tratamento).

Diagnóstico da roséola infantil

Na maioria dos pacientes, a roséola é diagnosticada clinicamente, devido à sua típica apresentação de febre por 3 a 5 dias seguida de rash cutâneo em uma criança com menos de 3 anos. Antes do aparecimento do rash, é muito difícil estabelecer o diagnóstico, pois os sintomas são os mesmos que os de qualquer virose comum.

Raramente, o médico pode pedir uma sorologia, que é um exame que investiga a presença de anticorpos contra a roséola no sangue.

Tratamento da roséola infantil

A roséola é um quadro benigno e auto-limitado, e a maioria das crianças já se encontra curada dentro de uma semana após o surgimento da febre. O tratamento indicado, portanto, é apenas repouso, boa hidratação e controle da febre com analgésicos comuns.

A síndrome mão-pé-boca (SMPB), também chamada de doença mão-pé-boca, é uma infecção viral contagiosa muito comum em crianças, que é caracterizada por pequenas feridas na cavidade oral e erupções nas mãos e nos pés.

A síndrome mão-pé-boca é, na maioria dos casos, uma doença branda e benigna, que desaparece espontaneamente após alguns dias sem causar nenhum tipo de complicação. O maior problema costuma ser o risco de desidratação, pois a dor de garganta pode fazer com que a criança pare de aceitar alimentos e líquidos.

De todas as principais causas de exantemas febris (febre + manchas vermelhas na pele), a doença mão-pé-boca é uma das mais fáceis de ser diagnosticada, devido ao seu típico envolvimento da mucosa oral, solas dos pés e palmas das maões.

Neste artigo, vamos nos ater apenas à síndrome mão-pé-boca, se você procura informações sobre outras causas de febre e manchas vermelhas na pele, acesse o seguinte link: 10 Causas de Febre com Manchas Vermelhas na Pele.

O que é a síndrome mão-pé-boca

A síndrome mão-pé-boca é uma infecção viral contagiosa, provocada habitualmente, mas não somente, pelo Coxsackievirus A16. Casos da SMPB também podem ser provocados por outros sorotipos do Vírus Coxsackie, tais como o Coxsackievirus A2, A4 ao A10, B2, B3 ou B5. Outros vírus, como o Echovirus 1, 4, 7 ou 19 ou o Enterovirus A71 também podem causar a mesma síndrome, com sinais e sintomas muito semelhantes.

O quadro clínico costuma ser autolimitado e de curta duração em todos os sorotipos, mas a síndrome mão-pé-boca provocada pelo Enterovirus A71 pode ser mais perigosa, pois pode complicar com casos de encefalite, meningite ou miocardite (inflamação do músculo cardíaco).

A SMPB ocorre frequentemente nas crianças com menos de 5 anos, mas pode, eventualmente, acometer adultos.

Transmissão da síndrome mão-pé-boca

O vírus que causam a doença mão-pé-boca podem ser transmitidos por contato com secreções das vias respiratórias, secreções das feridas das mãos ou dos pés e pelo contato com fezes dos pacientes infectados. Isso significa que o Vírus Coxsackie (e os outros vírus causadores da SMPB) podem ser transmitidos nas seguintes situações:

  • Beijar alguém infectado.
  • Ter contato com secreções respiratórias, geralmente através da tosse ou espirro.
  • Beber água contaminada.
  • Apertar a mão de alguém contaminado.
  • Ingerir alimentos preparados por alguém infectado, que não tenha feito a higienização adequada das mãos.
  • Contato com brinquedos ou objetos que possam ter sido contaminados por mãos sujas.
  • Contato com roupas contaminadas.
  • Trocar fraldas de crianças contaminadas.

Geralmente, a fase de maior contágio da síndrome mão-pé-boca é durante a primeira semana de doença. Porém, mesmo após a cura, o paciente pode permanecer eliminando o vírus nas fezes, o que o mantém contagioso durante dias ou até semanas depois dos sintomas terem desaparecidos.

A maioria dos adultos que se contamina com o Vírus Coxsackie não desenvolve sintomas, mas eles podem ser transmissores assintomáticos do vírus.

Sintomas da síndrome mão-pé-boca

O período de incubação da SMPB costuma ser de 3 a 6 dias. Os primeiros sintomas a surgirem costumam ser a dor de garganta e a febre, que fica por volta dos 38ºC. Mal-estar e perda do apetite também são frequentes. Num primeiro momento, a doença é muito parecida com qualquer quadro de virose comum, sendo impossível o seu diagnóstico clínico nesta fase.

Um ou dois dias após os primeiros sintomas, começam a surgir as lesões características que dão o nome à doença mão-pé-boca.

As lesões da boca começam como pontos avermelhados, que se transformam em pequenas bolhas e posteriormente em úlceras dolorosas, semelhantes às aftas comuns (leia: COMO TRATAR AS AFTAS?). Essas ulcerações surgem habitualmente na língua, e nas partes internas dos lábios e bochechas. O palato (céu da boca) também pode ser afetado.

Um ou dois dias após o surgimento das lesões da boca começam também a aparecer as lesões nas palmas das mãos e nas solas dos pés. A ferida inicia-se como pequenas bolhas, com um halo avermelhado ao seu redor. As lesões costumam ter de 0,1 a 1 cm de diâmetro e podem se romper, liberando um líquido que é bem contagioso. Nádegas, coxas, braços tronco e face também podem apresentar algumas lesões.

É importante destacar que nem todas as pessoas contaminadas pelo Vírus Coxsackie desenvolvem o quadro clínico completo da SMPB. 75% dos pacientes têm a síndrome completa, mas o restante pode ter apenas lesões na boca ou na pele.

No caso dos adultos, a imensa maioria dos indivíduos que entra em contato com o Vírus Coxsackie não desenvolve sintoma algum.

Complicações da doença mão-pé-boca

A síndrome mão-pé-boca costuma durar de 7 a 10 dias e cura-se espontaneamente, sem a necessidade de tratamento e sem causar complicações na maioria dos casos.

A complicação mais comum costuma ser a desidratação, pois, além do mal-estar, a dor de garganta é muito forte, e as crianças podem parar de aceitar alimentos e líquidos.

Os casos de SMPB causados pelo Enterovirus A71 também costumam ter um curso benigno, mas há um maior risco de complicações, tais como miocardite, meningite ou encefalite.

Diagnóstico da síndrome mão-pé-boca

Nos pacientes que apresentam o típico quadro de febre, úlceras orais e lesões nas palmas das mãos e plantas dos pés, o diagnóstico é feito facilmente, sem a necessidade de uma maior investigação laboratorial.

Nos casos atípicos, se o médico sentir a necessidade de fazer o diagnóstico, a identificação do vírus pode ser obtida através de exame de fezes ou das secreções da garganta ou das lesões de pele.

Tratamento da síndrome mão-pé-boca

Não existe tratamento específico para a SMPB. E nem precisa, pois a doença costuma ser autolimitada. Em geral, bastam anti-inflamatórios ou analgésicos comuns para controlar os sintomas de dor e febre. É importante manter as crianças bem hidratadas.

Nos casos mais graves, principalmente nas crianças que recusam a alimentação e passam a correr risco de desidratação, a internação hospitalar pode ser necessária.

Prevenção da síndrome mão-pé-boca

Pessoas contaminadas devem ficar em casa. Crianças não devem ir à creche ou à escola, e adultos devem faltar o trabalho até todos os sintomas terem desaparecidos.

Como o vírus ainda pode ser eliminado nas fezes mesmo após a cura dos sintomas, é importante orientar o paciente a lavar as mãos com frequência, principalmente após ir ao banheiro e antes de manusear comida. Nas creches, é preciso ter muito cuidado com a higiene das mãos na hora de trocar as fraldas, para que os profissionais não transmitam o vírus de uma criança pra outra.

Roupas comuns e roupas de cama podem ser fontes de contágio (principalmente se houver secreção das lesões da pele) e devem ser trocadas e lavadas diariamente. Brinquedos também devem ser lavados com frequência.

Ainda não existe vacina contra a doença mão-pé-boca, mas há estudos muito avançados e promissores em curso.

Lavar as mãos é uma das medidas mais importantes para impedir a propagação de doenças. A higienização adequada das mãos pode impedir que você fique doente e também é capaz de interromper a transmissão de infecções virais, bacterianas e parasitárias para outras pessoas.

Grande parte das infecções comuns, tais como resfriados, gripes, intoxicação alimentar, hepatite A, parasitoses intestinais e muitas outras, são transmitidos habitualmente por mãos contaminadas. Mesmo as infecções respiratórias, que podem ser transmitidas através da tosse ou do espirro, são, na verdade, transmitidas com mais frequência pelas mãos do que pelo ar.

Não é exagero, portanto, dizer que o simples hábito de lavar as mãos com frequência pode salvar vidas, não só a sua, como também as das pessoas que você têm contato. Isso é especialmente importante se você tiver contato próximo com bebês, idosos ou pessoas debilitadas.

Neste artigo vamos explicar por que a mão é uma via tão importante para transmissão de doenças. Vamos ensinar também em que momentos a higienização das mãos é importante e quais são as formas corretas de lavar as mãos.

Por que a mão pode transmitir tantas doenças?

Pense bem: quando você tosse ou espirra, qual é a parte do corpo que você usa para proteger a boca? Quando o seu nariz está escorrendo, qual é a parte do corpo que você mais usa para limpá-lo. Quando você termina de evacuar qual é a parte do corpo que você usa para se limpar? E para dar descarga? Quando você desce uma escada em um local público, o que você usa para se apoiar no corrimão? E para abrir portas ou segurar em dinheiro? Quando o metrô ou ônibus estão lotados e você fica em pé, que parte do corpo você usa para se apoiar e não cair? E para trocar as fraldas do seu bebê?

Agora reflita: que parte do corpo você usa para preparar a comida? Que parte do corpo você usa para comer? E para coçar os olhos ou o nariz. E para escovar os dentes ou usar o fio dental?  Quantas vezes por dia você passa a mãos nos lábios?

Mesmo que você em alguns desses casos utilize panos ou papel para auxiliá-lo, a verdade que são sempre as mãos que estão diretamente envolvidas em todas essas atividades.

Existem neste exato momento trilhões de micróbios nas suas mãos. Obviamente, a maior parte deles é inofensiva e faz parte da flora microbiana natural da sua pele. Porém, nem todos os micróbios no qual as nossas mãos entram em contato ao longo do dia são inofensivos.

Só para ilustrar a enormidade de microrganismos que uma mão pode carrear, repare na imagem na baixo de 2 placas de Petri, que são recipientes utilizados para cultivar micróbios em laboratório. À esquerda, vemos o resultado após uma pessoa tossir diretamente contra a placa. À direta, é o resultado após uma criança de 8 anos encostar a mão contra a placa. Cada bolinha é uma colônia de micróbios que cresceu ao longo dos dias. Cada colônia dessas possui milhões de micróbios. Quanto maior o diâmetro da colônia, maior é o número de microrganismos.

Como as mãos transmitem doenças

Existe incontáveis maneiras de uma infecção ser transmitida de uma pessoa para a outra através das mãos. Vírus, fungos, bactérias e parasitos são todos germes passíveis de serem transmitidos por um simples aperto de mão.

Vamos descrever três simples situações cotidianas para mostrar como esse tipo de contaminação é comum.

1- Uma pessoa na sua escola ou trabalho está gripada. Ela usa as mãos para proteger a boca ao espirrar e para limpar as secreções do nariz. Sem lavar as mãos, ela toca no mouse do computador, encosta no telefone, apoia-se na mesa e depois usa o corrimão para descer a escada. Os vírus das vias respiratórias que estão nas suas mãos contaminadas são transportados para todos os objetos que essa pessoa gripada manuseou ao longo do dia. O vírus da gripe que acabou de ser depositado nesses objetos pode sobreviver nos mesmos por várias horas.

Tempos depois, você chega à sala que a pessoa doente esteve utilizando. Você usa o mesmo mouse e teclado, fala ao telefone e apoia suas mãos na mesma mesa. De repente, você sente uma leve coceira nos olhos e inocentemente usa a mão para coçá-los. Pronto, você acabou de levar os vírus que estavam no ambiente para dentro do seu corpo. Se você vai ficar gripado ou não vai depender agora da virulência do vírus e da competência do seu sistema imunológico em impedir a replicação desse germe que você acabou de adquirir. O fato é que existe uma grande chance de você ficar doente mesmo sem nunca ter encontrado a pessoa que lhe passou o vírus.

Se a pessoa gripada tivesse o hábito de lavar as mãos após contato com suas secreções, ela evitaria a contaminação de objetos utilizados por outras pessoas. Por outro lado, se você tivesse o hábito de lavar as mãos antes de levá-las aos olhos ou à boca, provavelmente não teria se contaminado.

2- Uma pessoa que trabalha na cozinha de um bar ou restaurante sente vontade de evacuar durante o seu expediente. Em um único grama de fezes existem mais de 1 trilhão de germes. Mesmo que a pessoa tenha cuidado na hora de se limpar com o papel higiênico, o simples ato de ativar a descarga faz com que milhares de germes sejam lançados no ar. Num banheiro, praticamente tudo ao redor do vaso sanitário está contaminado. Ir ao banheiro e não lavar as mãos, portanto, é quase certeza de sair de lá com as mãos contaminadas por germes que vivem nas fezes.

Se o cozinheiro não lavar as mãos, a partir deste momento, qualquer comida que ele for preparar será contaminada e poderá ser transmitida para os clientes do restaurante, principalmente se forem alimentos crus. Se o cozinheiro estiver contaminado com alguma doença, a situação é ainda mais grave. Após evacuar, a sua mão pode ter grandes quantidades de ovos de parasitos, vírus que causam gastroenterites, vírus da hepatite A ou bactérias diversas causadoras de diarreia.

3- Uma médico ou um enfermeiro passa visita num paciente contaminado com algum germe. Ele o examina, encosta na roupa de cama e aperta a sua mão. Qualquer germe que esteja infectando o paciente, automaticamente passa para as mãos do médico. Em seguida, o médico vai para outro quarto e repete o mesmo procedimento com o novo paciente. Se o médico não tiver lavado as mãos, ele acabou de levar germes de um paciente para o outro. Um paciente que foi internado por um problema, pode acabar tendo sua internação prolongada por uma infecção hospitalar, provocada por um membro da equipe de saúde que não realizou a higienização adequada das mãos.

Estudos mostram que a lavagem das mãos pela equipe de saúde antes e depois de examinar qualquer paciente é a medida mais importante para reduzir a ocorrência de infecção hospitalar.

Quando as mãos devem ser lavadas

Para evitar a transmissão de doenças, as mãos devem sempre ser lavadas nas seguintes situações:

  • Antes e depois de preparar comidas.
  • Antes de começar a comer.
  • Antes de tratar qualquer ferida ou machucado.
  • Antes e depois de entrar em contato com qualquer pessoa doente.
  • Depois de usar o banheiro.
  • Depois de trocar fraldas ou limpar alguma criança que tenha ido ao banheiro.
  • Depois de assoar o nariz, tossir, espirrar ou ter contato com qualquer tipo de secreção corporal.
  • Depois de apertar as mãos de outra pessoa.
  • Depois de entrar em contato com animais.
  • Depois de manusear lixo.
  • Toda a vez que a mão estiver nitidamente com alguma sujeira.

Você também deve lavar as mãos após o contato com superfícies de uso público, como corrimão, transporte público ou dinheiro. Enquanto você não tiver acesso à água ou álcool em gel, evite levar as mãos à boca, ao nariz ou aos olhos. Enquanto o germe estiver restrito à pele, ele não irá lhe faz mal. A nossa pele é uma espécie de armadura contra microrganismos. O problema é que quando levamos a mão suja à boca ou tocamos em alguma ferida,  estamos dando aos germes acesso à parte interior do nosso corpo.

Como lavar as mãos de forma correta

Para que você consiga eliminar de forma relevante os germes presentes nas suas mãos, o processo de higienização deve seguir alguns passos. Não basta lavar as mãos apenas com água, é preciso usar sabão. O sabão em barra é aceitável, mas a forma líquida é a melhor.

O processo de lavagem das mãos precisa durar pelo menos 30 a 40 segundos. Estudos mostram que se você demora menos de 10 segundos lavando as mãos, uma grande quantidades de germes ainda permanecem viáveis. E se você não gasta nem 5 segundos nesse processo, o resultado final é praticamente nulo, como se você não tivesse lavados as mãos.

Abaixo, mostramos a forma mais adequada de lavar as mãos e eliminar qualquer germe que possa lhe causar alguma doença.

Fonte: Organização Mundial de Saúde

Sabão comum ou sabão antibacteriano?

Apesar de haver muita publicidade dos sabões antimicrobianos, reforçando o senso comum de que esse tipo de sabonete é mais eficiente, o fato é que ele não é melhor que o sabão comum e ainda pode fazer mal.

Ao contrário do que ocorre no sabonete antimicrobiano, o mecanismo principal de ação do sabão comum não é matar os germes, mas sim fazer com eles sejam removidos e eliminados quando a mão é enxaguada.

Abaixo, listamos os motivos pelo qual você deve usar sabão comum em vez de sabão antibacteriano ou antimicrobiano:

  1. Estudos mostram que os sabões antimicrobianos não são superiores aos sabonetes comuns na prevenção da transmissão de doenças.
  2. Sabão comum é mais barato.
  3. O uso disseminado de sabão antimicrobiano pode levar ao desenvolvimento de bactérias resistentes.
  4. Estudos em animais mostram que o triclosan, substância ativa utilizada nos sabões antibacterianos, pode causar problemas de saúde, tais como alteração no funcionamento da tireoide, infertilidade, puberdade precoce ou outras alterações endocrinológicas.
  5. Crianças expostas frequentemente ao triclosan têm maior risco de desenvolver quadros de alergia, incluindo alergia ao pólen, rinite alérgica e alergia ao amendoim.
  6. O sabonete antimicrobiano é mais agressivo ao meio ambiente que o sabão comum.

Sabão comum ou álcool em gel?

O álcool em gel (com pelo menos 60% de álcool) é uma forma alternativa e muito eficaz de higienizar as mãos e impedir infecções.

Muitas pessoas preferem o álcool em gel em relação ao sabão pelos seguintes motivos:

  • O álcool em gel é tão eficaz quanto a lavagem das mãos.
  • O álcool gel não é mais agressivo à pele que os sabonetes comuns.
  • Enquanto a higienização adequada das mãos demora de 3o a 40 segundos, em apenas 20 segundos o álcool em gel já é eficaz (tempo que leva para o álcool secar totalmente).
  • O álcool em gel não precisa de enxágue.
  • Você pode carregar um pequeno frasco na bolsa, tendo ele disponível a qualquer momento.

Todavia, quando as suas mãos estiverem nitidamente sujas ou engorduradas, você deve dar preferência à lavagem com água e sabão. Também é importante lembrar que o álcool em gel é bem mais caro que o sabonete comum.

Os profissionais de saúde podem utilizar o álcool em gel em substituição à lavagem das mãos, mas devem ficar atentos ao fato de que o álcool gel não é tão eficaz como o sabão contra a bactéria Clostridium difficile, que é uma importante causa de diarreia em pacientes hospitalizados (leia: COLITE PSEUDOMEMBRANOSA | Clostridium difficile).

A pitiríase rósea é uma erupção de pele relativamente comum, que provoca um rash cutâneo caracterizado por manchas avermelhadas ou rosadas, que provocam intenso comichão. As suas causas ainda não estão totalmente esclarecidas, mas acredita-se que a doença tenha uma origem viral.

A pitiríase rósea é uma doença benigna e autolimitada. O seu maior problema é o fato de coçar muito e demorar para várias semanas para desaparecer.

Neste artigo vamos explicar o que é a pitiríase rósea, quais são as suas prováveis causas, os seus sintomas e as opções de tratamento.

Se você procura informações sobre a pitiríase versicolor, também conhecida como pano branco, acesse o seguinte link: PITIRÍASE VERSICOLOR ? PANO BANCO.

O que é pitiríase rósea

A pitiríase rósea é uma erupção de pele provavelmente provocada por alguns vírus da família do herpesvírus humano, tais como o herpesvírus humano 6 (HHV-6) e o herpesvírus humano 7 (HHV-7), os mesmos que causam nas crianças uma doença chamada exantema súbito, também conhecida como roséola infantil (leia: ROSÉOLA INFANTIL | EXANTEMA SÚBITO).

O exantema súbito e a pitiríase rósea são doenças diferentes causadas pelo mesmos vírus. O exantema súbito caracteriza-se por ser um rash cutâneo com febre alta e sem comichão, enquanto a pitiríase é um rash de pele sem febre, mas com intensa coceira.

Apesar de ser provocada por alguns membros da vírus da família do herpesvírus humano, a pitiríase rósea nada tem a ver com o herpes labial ou o herpes genital, que são doenças provocados por outros tipos de vírus desta família, nomeadamente os herpesvírus humano 1 (HHV-1) e o herpesvírus humano 2 (HHV-2) (leia: HERPES | Sintomas e tratamento).

Apesar de ser uma doença de provável origem viral, a pitiríase rósea não é contagiosa. Esse rash pode surgir em qualquer época da vida, mas é mais comum entre os 10 e 35 anos de idade, sendo rara nos bebês e nos idosos. Ela mais comum nas mulheres que nos homens, e os meses de outono e na primavera são as épocas na qual a doença surge com maior frequência.

Sintomas da pitiríase rósea

Em até 90% dos casos a pitiríase rósea iniciam-se com uma lesão única, chamada placa-mãe ou medalhão, que apresenta forma arrendondada ou ovalada, com 2 a 5 cm de diâmetro, bordas bem delimitadas e coloração rosada. Nos indivíduos de pele mais escura, a lesão pode ser arroxeada ou cinzenta. Com o passar dos dias, a placa-mãe cresce, começa a apresentar uma fina descamação e o seu centro torna-se mais claro. Abdômen, tórax e costas são as localizações mais comuns desta lesão inicial.

Alguns pacientes referem o aparecimento de alguns sintomas inespecíficos de virose dias antes do surgimento da placa-mãe. Os mais comuns são dor de garganta, mal-estar, dor de cabeça, diarreia ou dores pelo corpo.

Com o passar dos dias, inicia-se o chamado período eruptivo, também conhecido como rash secundário. Essa fase consiste no aparecimento de múltiplas lesões semelhantes à placa-mãe, porém menores. Em geral, essas lesões filhas se restringem ao tronco e à raiz das pernas, sendo muito comum o acometimento da região das virilhas. O acometimento do pescoço, face, pés e mãos pode ocorrer, mas é incomum, pois as lesões tendem a ficar centralizadas no centro do corpo, poupando as extremidades.

O número de lesões filhas pode variar de dezenas a centenas, dependendo da intensidade do rash. Essa múltiplas lesões também são avermelhadas, apresentam fina descamação e podem ser muito pruriginosas. Em alguns casos, a lesão mãe é muito maior que as lesões filhas, mas em outros, ela pode ser apenas levemente maior. Após o início do período eruptivo, o paciente pode ficar tendo novas lesões do rash ainda por vários dias, às vezes semanas.

Conforme as lesões vão ficando antigas, elas passam a ter um centro mais claro e um halo ao redor com descamação. Após 4 a 6 semanas, as primeiras lesões começam a sumir, mas podem deixar uma área despigmentada (mais branca que a pele), que pode durar meses para voltar à cor normal. Quanto mais escura é a pele, mais evidente é essa despigmentação.

Para além das lesões de pele, a coceira é o único sintoma que a pitiríase rósea costuma provocar. A intensidade do comichão varia de pessoa pra pessoa. Na maioria dos casos, a coceira é leve a moderada, mas pelo 1 em cada 4 pacientes classifica o seu prurido como intenso.

A pitiríase rósea cura-se espontaneamente, mas pode demorar. Contando desde o surgimento da placa-mãe até o desaparecimento das últimas lesões do rash secundário, a doença pode ter de 4 a 12 semanas de duração.

Caso o rash dure mais de 3 meses para desaparecer, a hipótese diagnóstica de pitiríase rósea deve ser repensada. Em geral, indica-se um biópsia da pele para confirmar o diagnóstico.

Diagnóstico da pitiríase rósea

Uma vez que o período eruptivo tenha surgido, o diagnóstico da pitiríase rósea costuma ser relativamente simples. Uma história de uma lesão mãe, com fina descamação e centro pálido, precedendo em alguns dias o surgimento de um rash pruriginoso e sem outros sintomas é uma apresentação muito típica da pitiríase rósea.

O diagnóstico pode ser mais complexo nos casos atípicos ou quando a lesão mãe ainda está numa fase muito inicial. Em cerca de 10% dos casos, não há a placa-mãe antecedendo o período eruptivo, o que torna o diagnóstico um pouco mais difícil.

Algumas doenças podem ser confundidas como a pitiríase rósea, sendo a dermatofitoses (lesões fúngicas da pele), a sífilis secundária e psoríase gutata as mais parecidas. Algumas alergias medicamentosas também podem causar lesões semelhantes às da pitiríase rósea. HIV é outro diagnóstico diferencial a ser pensado em casos atípicos.

Na maioria dos casos não é necessária a realização de exames complementares. Se o médico, porém, achar que o quadro clínico não está muito típico, alguns exames para descartar os diagnósticos diferenciais podem ser solicitados, tais como pesquisa de VDRL ou FTA-ABS para sífilis, sorologia para HIV e exame micológico da pele para descartar fungos.

Tratamento da pitiríase rósea

Não há um tratamento específico para a pitiríase rósea. A doença cura-se espontaneamente e sem deixar sequelas após 2 ou 3 meses, independentemente do que se faça.

O tratamento é geralmente indicado para aqueles pacientes que queixam-se de muita coceira. Pomadas ou cremes à base de corticoides de média potência, tais como hidrocortisona, mometasona ou triancinolona ajudam a aliviar o comichão. Essas pomadas podem ser aplicadas 2 a 3 vezes por dia por no máximo 3 semanas, para minimizar os riscos de efeitos adversos.

Loções tópicas com mentol ou calamina também ajudam e têm menos risco de provocar efeitos colaterais que os corticoides.

Anti-histamínicos por via oral também ajudam. Se o paciente tem dificuldade para dormir devido ao prurido, anti-histamínicos de primeira geração, que provocam sono, como a hidroxizina podem ser utilizados.

Uma vez que o rash e a coceira tenham desaparecidos, é rara a recorrência da doença.

Este post também está disponível em: Espanhol


Virose é um termo pouco específico, que significa doença viral ou infecção provocada por um vírus. Se formos interpretar a expressão virose ao pé da letra, estaremos diante de um gigantesco grupo de doenças que engloba centenas de infecções virais diferentes, desde as mais simples, como resfriados e verrugas de pele, até as mais graves, como AIDS, raiva, hepatite e ebola.

Apesar do termo virose abranger todas as infecções de origem viral, na prática, os médicos costumam reservar esse diagnóstico para as infecções virais leves, de origem respiratória ou gastrointestinal, que habitualmente são autolimitas e curam-se espontaneamente após alguns dias. Nenhum médico diz para o paciente que está com sarampo, ebola ou AIDS que ele tem “apenas uma virose”.

Neste artigo vamos explicar o que é uma virose e quais são as infeções que costumam ser chamadas pelos médicos de virose.

Se você está à procura de uma revisão mais abrangente sobre as doenças causadas por vírus, acesse o seguinte artigo: QUAIS SÃO AS DOENÇAS CAUSADAS POR VÍRUS?

“É só uma virose”

Imagine a seguinte situação: dois pacientes aguardam consulta médica em um centro de pronto atendimento. O primeiro entra e relata ao médico que está sentindo cansaço, dor no corpo, dor de cabeça, tosse, espirros e nariz entupido. Ao fim da consulta, o médico diz que ele tem apenas um virose e que deve ir pra casa descansar e se hidratar bem. Chega a vez do segundo paciente, que relata ao médico estar com mal-estar, cansaço, cólicas, diarreia e vômitos. Novamente, o médico diz que ele tem apenas um virose e que deve ir pra casa descansar e se hidratar bem.

Como pode o médico dar o mesmo diagnóstico e indicar o mesmo tratamento para dois pacientes com sintomas tão diferentes?

Por mais que para o público leigo possa parecer que o médico está “chutando” o diagnóstico, existe uma grande chance do profissional ter acertado nas duas situações. A imensa maioria dos quadros respiratórios, com espirros e dores pelo corpo, e dos quadros gastrointestinais agudos, sem febre alta ou sangue nas fezes, são provocados por infecções virais de curta duração, como aquelas causadas pelos vírus Rinovírus, Parainfluenza, Influenza, Coronavírus, Rotavírus ou Norovírus.

Nestes casos, o importante para o médico não é fazer um diagnóstico preciso do vírus responsável pelo quadro clínico, mas sim ter certeza que o paciente não apresenta sinais e sintomas que possam indicar um outro problema, que não apenas uma simples virose. Entre esses sinais e sintomas estão a febre alta, pus nas amígdalas, sangue nas fezes, dor abdominal intensa, sinais de desidratação, hipotensão arterial, sintomas com mais de 1 semana de duração, etc.

Em alguns casos, quadros de infecções mais graves podem se apresentar nos primeiros dias de forma muito parecida com uma virose comum, só vindo a manifestar os sintomas mais claramente após 48-72 horas. Além disso, apesar de não ser o habitual, algumas viroses comuns podem causar complicações. A gripe é um exemplo bem claro. A imensa maioria dos pacientes com gripe recupera-se espontaneamente após alguns dias, mas cerca de 1% dos pacientes podem ter complicações sérias.

Algumas das complicações incomuns, mas possíveis das viroses são:

O correto, portanto, é o médico examinar o paciente à procura de sinais e sintomas de gravidade e explicar que as viroses comuns costumam melhorar espontaneamente após 3 ou 4 dias. Se o paciente, em vez de melhorar, notar um agravamento dos sintomas ao longo das próximas 48 horas, uma nova avaliação médica costuma ser necessária.

Sintomas de virose

Tecnicamente, qualquer infecção provocada por um vírus pode ser chamado de virose, logo, existe uma vasta gama de sinais e sintomas possíveis. Entretanto, conforme já explicamos, na prática, o termo virose acaba ficando restrito aos tipos de infecção viral que são brandos e autolimitados.

Podemos dividir em três grandes grupos os principais quadros clínicos provocados por viroses: viroses respiratórias, viroses gastrointestinais e viroses exantematosas. Vamos falar um pouco sobre cada uma das três.

1- Sintomas das viroses respiratórias

As viroses respiratórias são provocados pelo vírus da gripe, chamado vírus Influenza, ou pelos vários vírus que provocam o resfriado comum, entre eles: Rinovírus, Adenovirus, Vírus sincicial respiratório, Coronavirus, Parainfluenza.

Entre os sintomas mais comuns das viroses respiratórias podemos citar:

  • Febre.
  • Espirros.
  • Coriza.
  • Sinusite.
  • Tosse.
  • Conjuntivite.
  • Dor de cabeça.
  • Dor de garganta.
  • Dor no corpo.
  • Cansaço.
  • Mal-estar generalizado.

Cabe salientar que o paciente não precisa apresentar todos os sintomas listados acima para ter uma virose. Um paciente que apresente apenas coriza, espirros, dor de cabeça e cansaço já apresenta um quadro bastante rico para o diagnostico de virose respiratória.

Quando o médico se depara com uma virose respiratória, é importante que ele procure descartar infecções bacterianas que possam ter sintomas semelhantes, mas que precisam ser tratados com antibióticos, tais como a faringite bacteriana, a pneumonia e a sinusite bacteriana.

Quadros alérgicos, como a rinite alérgica, também podem cursar com alguns dos sintomas das viroses e o tratamento deve ser feito com medicamentos antialérgicos.

As viroses respiratórias duram de 2 a 7 dias e curam-se espontaneamente. Raramente há complicações.

Explicamos a gripe e o resfriado comum com mais detalhes nos seguintes artigos:

GRIPE ? Sintomas, Tratamentos e Vacina.
DIFERENÇAS ENTRE GRIPE E RESFRIADO.

2- Sintomas das viroses gastrointestinais

A maioria dos quadros de diarreia aguda costuma ser causada pelas viroses gastrointestinais, que incluem infecções pelos vírus rotavírus, Norovírus, Astrovírus e Adenovírus entérico.

As viroses gastrointestinais se caracterizam por um quadro de diarreia aguda que dura, em média, de 3 a 7 dias, e está frequentemente acompanhada por cólicas abdominais e vômitos, principalmente nos primeiros dias. Febre baixa, abaixo de 38,5ºC, também é um sintoma bastante comum.

Quando um médico se depara com um paciente com quadro sugestivo de virose gastrointestinal, ele precisa estar atento para alguns sinais e sintomas que possam indicar outra causa que não uma infecção viral simples. Entre os sinais de alerta estão:

  • Febre alta.
  • Intensa e persistente dor abdominal.
  • Diarreia sanguinolenta.
  • Sinais de desidratação grave.
  • Sintomas prolongados, geralmente por mais de 10 dias.
  • Perda de peso importante.

A maioria das viroses gastrointestinais resolve-se espontaneamente, sem necessidade de tratamento ou dietas muito rigorosas. A complicação mais comum é a desidratação, que pode ser evitada, caso o paciente consiga manter uma boa hidratação.

Explicamos as gastroenterites de origem viral com mais detalhes no seguinte artigo: VÔMITOS E DIARREIA – Virose Gastrointestinal.

3- Sintomas das viroses exantemáticas

As viroses exantemáticas são um grupo de doenças de origem viral que cursam com o aparecimento de exantemas, que nada mais são do que erupções avermelhadas na pele. Entre as viroses exantemáticas mais conhecidas podemos citar a catapora (varicela), a rubéola e o sarampo. A dengue, a febre Chicungunha e a febre Zika também são exemplos de viroses que podem cursar com exantemas, apesar das lesões de pele não serem os sinais mais importantes destas infecções.

Temos um artigo no qual explicamos as 10 principais causas de febre e manchas avermelhadas na pele: 10 Causas de Febre com Manchas Vermelhas na Pele.

Nem sempre, porém, as viroses que produzem exantemas apresentam um quadro clínico típico que nos permite enquadrá-las em um diagnóstico específico. Muitas vezes, o paciente recebe mesmo é o inespecífico diagnóstico de virose. Algumas das viroses respiratórias e gastrointestinais citadas nos tópicos anteriores podem também causar machas avermelhadas na pele, que não possuem características de nenhuma doença em especial. Não é incomum encontrarmos um paciente com um quadro de curta duração que consista em manchas avermelhadas na pele, febre, dores no corpo e alguns sintomas respiratórios.

Também não é incomum que os pacientes tenham formas brandas e atípicas de algumas viroses exantemáticas clássicas. Algumas pessoas só descobrem que tiveram catapora, dengue ou rubéola quando fazem exames de sangue, pois, na época da infecção, vários anos atrás, os sintomas foram tão inespecíficos, que muitas vezes nem atendimento médico o paciente procurou.

Portanto, se as lesões de pele não tiverem algumas características próprias, nem sempre é possível fazer o diagnóstico preciso de uma virose exantemática, principalmente se ela for de curta duração e com sintomas leves.

Diagnóstico das viroses

Umas das maiores frustrações do paciente que recebe o diagnóstico de virose é o fato do médico solicitar poucos ou nenhum exame e não estabelecer um diagnóstico mais preciso. Isso do ponto de vista médico, entretanto, não é um problema. Se há um grupo de doenças que tenham sintomas semelhantes, sejam de curta duração e não necessitem de nenhum tratamento específico, não faz sentido gastar tempo e dinheiro do paciente para fazer um diagnóstico mais preciso, uma vez que isso em nada irá alterar a conduta do médico. Mesmo que o paciente tenha um quadro de catapora ou dengue branda, com manifestações atípicas, saber ou não o diagnóstico correto não vai mudar em nada o tratamento. Da mesma forma, saber se o paciente tem um resfriado por adenovírus ou por Parainfluenza não traz nenhuma vantagem na maioria dos casos.

A solicitação de exames complementares pode ser indicada quando o médico não se sente seguro com o diagnóstico de virose. Análises de sangue, radiografia de tórax ou uma amostra de secreções da orofaringe podem ser solicitadas, caso o médico queira ter mais certeza que a infecção não tem origem bacteriana.

Outra situação em que o diagnóstico mais preciso pode ser interessante é nos períodos de epidemia de gripe. Do ponto de vista de saúde pública, saber se há ou não uma nova cepa do vírus Influenza pode ajudar no estabelecimento de estratégias de tratamento, prevenção e na formulação de vacinas para os anos seguintes.

Tratamento das viroses

A maioria dos quadros que chamamos de virose são autolimitados, ou seja, curam-se espontaneamente após alguns dias. Sendo assim, não há necessidade de nenhum tipo de tratamento específico. Isso não significa, porém, que o médico não possa prescrever alguns remédios visando o alívio dos sintomas do paciente, principalmente nos casos de febre e dor. Nos pacientes com vômitos e diarreia, o tratamento deve visar a adequada hidratação do paciente.

Uma medida importante para evitar a transmissão das viroses para outras pessoas e a lavagem frequente das mãos. A principal forma de transmissão dos vírus não é através do ar, mas sim através de mãos contaminadas (leia: A IMPORTÂNCIA DE LAVAR AS MÃOS).

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