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O ex-presidente do Grupo Andrade Gutierrez Otávio Marques de Azevedo vai prestar depoimento à Justiça Federal nesta quinta-feira (28). O executivo foi detido na 14ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada em junho de 2015, ao lado de outros funcionários da empreiteira. Em fevereiro deste ano, Azevedo firmou um acordo de delação premiada e foi solto.

O depoimento está marcado para as 14h. Além dele, outro ex-funcionário, Paulo Roberto Dalmazzo, também deve ser ouvido. Os dois são réus no mesmo processo que apura irregularidades em contratos envolvendo a Andrade Gutierrez e a Petrobras. Assim como Azevedo, Dalmazzo foi outro que fechou acordo com Ministério Público Federal.

Azevedo e Dalmazzo são os últimos réus a serem ouvidos pelo juiz federal Sérgio Moro.

Após as oitivas, o processo deve entrar na fase de apresentação dos argumentos finais, tanto do Ministério Público Federal, quanto das defesas.

A partir daí, os autos voltam ás mãos de Moro, que determinará a sentença. Os réus podem ser condenados ou absolvidos, e o juiz não tem a obrigação de cumprir totalmente os acordos firmados pelos delatores.

A Andrade Gutierrez também já reconheceu a culpa pelas irregularidades apontadas nos processos aos quais os funcionários respondem na Justiça. A empreiteira firmou um acordo de leniência com diversas autoridades e se comprometeu a pagar multa civil de R$ 1 bilhão, parcelada em 10 vezes.

Processo suspenso
Este processo chegou a ser suspenso por quatro meses justamente pela negociação dos acordos de colaboração entre os réus e a Procuradoria Geral da República (PGR). A 14ª fase da Operação Lava Jato focou as investigações na Andrade Gutierrez e na Odebrecht, que são as maiores empreiteiras do país.

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), as duas empresas agiam de forma mais sofisticada no esquema de corrupção e fraudes de licitações da Petrobras. Esse diferencial, conforme o MPF, estava no pagamento de propina a diretores da estatal via contas bancárias no exterior. Na quinta-feira (28) serão ouvidos Otávio Marques de Azevedo e Paulo Roberto Dalmazzo, também ex-executivos da Andrade Gutierrez.

Os executivos são suspeitos de pagar propina em contratos como o do Centro Integrado de  Processamento de Dados (CIPD) do Centro de Pesquisasda Petrobras (CENPES), no Rio de Janeiro; no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj); na Refinaria de Paulínia (Replan); no gasoduto Gasduc III, em Cachoeiras do Macau (RJ); no gasoduto Urucu-Manaus; na Refinaria Landulpho Alves (RLAM); na Refinaria Gabriel Passos (Regap); e no Terminal de Regaseificação da Bahia.

A empresa afirma, por meio de nota oficial, que tem compromisso de colaborar com a Justiça. “A Andrade Gutierrez mantém o compromisso de colaborar com a Justiça. Além disto, tem feito propostas concretas para dar mais transparência e eficiência nas relações entre setores público e privado.”

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