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O ex-presidente da Queiroz Galvão Ildefonso Colares Filho e o ex-diretor Othon Zanoide de Moraes Filho, que foram presos na 33ª fase da Operação Lava Jato, fizeram o exame de corpo de delito no Instituto Médico-Legal (IML), em Curitiba, por volta das 9h30 desta quarta-feira (3). O exame é procedimento padrão após a prisão e durou cerca de 30 minutos. A dupla foi presa preventivamente e não tem prazo determinado para deixar a carceragem.

Há ainda um mandado de prisão temporária em aberto no nome de Marcos Pereira Reis, ligado ao consórcio Quip, que tinha a construtora Queiroz Galvão como acionista líder. Os advogados que o representam informaram que ele está na China a trabalho e que providencia retorno para o Brasil. Até as 10h desta segunda, ele não tinha se entregado à polícia.

Esta é a segunda prisão de Ildefonso Filho e Othon de Moraes em decorrência da Lava Jato. Em novembro de 2014, eles foram detidos na 7ª fase e soltos dias depois por determinação da Justiça.

Nesta fase, as investigações da Operação Lava Jato se voltaram para a Queiroz Galvão. A empresa é suspeita de formar cartel para fraudar contratos na Petrobras; pagar propina por meio de doação eleitoral e via caixa 2; corromper funcionários público e políticos; interferir na CPI da Petrobras e manter funcionários no exterior, longe da ação da Justiça brasileira.

A 33ª etapa foi batizada de \"Resta Um\" porque, segundo a Polícia Federal, a Queiroz Galvão era a última empreiteira que faltava na investigação sobre formação de cartel na Petrobras.

Esta é a segunda prisão de Ildefonso Colares Filho e Othon Zanoide de Moraes em decorrência da Lava Jato. Em novembro de 2014, eles foram detidos na 7ª fase e soltos dias depois por determinação da Justiça.

A construtora é a terceira maior empresa em volume de contratos com a Petrobras, que superam R$ 20 bilhões. \"A maioria desses contratos foi alvo de cartel de empreiteiras para maximização dos recursos dessas empresas privadas, com prejuízos bilionários para a estatal pretrolífera\", disse Jerusa Burmann Viecili, procuradora da República.

Segundo ela, a empresa já apareceu em outras três operações sobre esquemas de corrupção – duas delas foram anuladas por tribunais superiores.

Em nota, a Construtora Queiroz Galvão informou que está \"cooperando com as autoridades e franqueando acesso às informações solicitadas\". A reportagem tenta contato com a defesa dos demais envolvidos.

Novas provas
\"Há indícios, que incluem a palavra de colaboradores e um vídeo, de que 10 milhões de reais em propina foram pagos pela Queiroz Galvão com o objetivo de evitar que as apurações da CPI tivessem sucesso em descobrir os crimes que já haviam sido praticados até então\", segundo o Ministério Público Federal (MPF).

\"Temos um novo contrato, num valor bastante alto, um contrato de R$ 1,2 milhão, que está sob análise pericial para demonstrar que foi usado para pagamento de propina\", disse a delegada da Polícia Federal Renata da Silva Rodrigues.

Além disso, segundo a delegada, foi decisivo para as investigações o vídeo que mostra a negociação entre operadores e o então presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), para esvaziar a CPI sobre suspeitas de superfaturamento nas obras da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco. ASSISTA AO VÍDEO.

\"Embora houvesse relatos da reunião, só recentemente o vídeo foi compartilhado pelo Supremo Tribunal Federal e passível de ser usado nas investigações. Ele mostra de forma muito clara a atuação das pessoas, num encontro de lobistas com operadores financeiros, agentes públicos e parlamentares. No nosso entender, demonstra uma atuação direta dos investigados para obstruir as investigações\", disse Renata.

Segundo a delegada, o vídeo foi entregue às autoridades pelo dono da sala comercial em que ocorreu a reunião. Ele seria amigo do operador Fernando Baiano.

Campanha de Lula
O procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima afirmou nesta terça que a empreiteira Queiroz Galvão é investigada por pagar caixa 2 para a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva em 2006. Segundo delação de Ricardo Pessoa, ex-presidente da UTC Engenharia, uma empresa que participou de consórcio com a Queiroz Galvão, o repasse para a campanha chegou a R$ 2,4 milhões.

A delegada Renata da Silva Rodrigues afirmou que a investigação sobre doações eleitorais da campanha de 2006 ainda estão em andamento.

Segundo ela, doações da Queiroz Galvão foram intermediadas pelo doleiro Alberto Youssef, considerado operador do esquema na Petrobras. A PF identificou três ou quatro parlamentares envolvidos, mas eles não são o alvo desta fase da operação. \"Nosso objeto são os indivíduos que não têm foro [privilegiado]\", disse.

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