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O câncer de mama é o câncer mais comum e o que mais leva à morte entre as mulheres. Neste texto falarei dos sintomas, do auto exame e do diagnóstico do câncer de mama.

Sugiro também a leitura do texto CÂNCER (CANCRO) – SINTOMAS E DEFINIÇÕES, para se entender conceitos básicos sobre os cânceres.

Como o câncer de mama é um assunto muito extenso, dividirei este tema em alguns textos. Este abordará os sintomas, o autoexame e o diagnóstico do câncer mama. Se quiser saber sobre os fatores de risco e os mitos acerca do câncer de mama, leia: CÂNCER DE MAMA | Fatores de risco

Introdução

No Brasil, o câncer de mama é o mais comum e o que mais leva a morte entre as mulheres. Nos E.U.A mais de 40.000 mulheres falecem todo ano devido a esta doença.

O câncer de mama é raro antes dos 35 anos, mas é a principal causa de mortalidade entre mulheres de 45 a 55 anos.

Apesar do número de casos estar em crescimento desde a década de 1960, nos últimos anos a mortalidade caiu cerca de 20%. Isto só foi possível devido aos avanços nas técnicas de rastreio e na divulgação para a população da importância do diagnóstico precoce.

Quanto mais cedo o câncer de mama for detectado e tratado, maiores são as chances de cura completa.

Sintomas do câncer de mama

O primeiro sinal ou sintoma do câncer de mama para a maioria das mulheres é o aparecimento de um nódulo (caroço) em uma das mamas. Um nódulo maligno costuma ser duro, de formato irregular e bem aderido aos planos profundos. Um nódulo benigno é normalmente arredondado, de consistência mais elástica e móvel à palpação.

É bom lembrar que a imensa maioria dos caroços na mama são benignos e não indicam câncer, porém, só uma avaliação médica é capaz de distingui-los.

Além dos nódulos, outros achados são importantes na avaliação de uma mama e podem sugerir a presença de uma doença maligna:

– O mamilo pode-se tornar mais sensível, mudar de características, ficando maior, mudando de forma, invertendo-se para dentro da pele ou ficando avermelhado e inchado. A secreção de líquidos, sejam sanguinolentos ou não, também devem despertar a atenção, principalmente se ocorrer em apenas uma das mamas.

– Presença de linfonodos (gânglios) palpáveis ao redor da mama e nas axilas.
– Aparecimento de veias salientes ao redor dos mamilos
– Alterações no tamanho e na forma de uma das mamas, tornando-as assimétricas
– Alterações na textura da pele das mamas, às vezes ficando mais ásperas e com aparência de casca de laranja.
– Um tipo raro de câncer de mama, chamado de doença de Paget da mama, se manifesta como uma grande inflamação da mama, deixando-a avermelhada, inchada e muito dolorosa. A doença de Paget pode iniciar-se como uma pequena lesão ao redor do mamilo, às vezes dolorosa, às vezes com comichão, semelhante a uma espinha ou picada de mosquito que em vez de melhorar, passa a crescer com o tempo.

Todos os sinais e sintomas descritos anteriormente podem ser manifestações do câncer de mama, porém, na maioria dos casos, não o são. Mas assim como os nódulos, só uma avaliação médica criteriosa pode descartar a presença de uma doença maligna. A existência de mais de um desses achados ao mesmo tempo, principalmente em mulheres acima dos 35 anos, aumenta o risco de tratar-se de câncer.

Auto-exame da mama

Quanto mais precoce for o diagnóstico, maiores são as chances de sucesso do tratamento. O auto-exame das mamas deve ser realizado mensalmente para que pequenas anormalidades possam ser detectadas o mais rápido possível e a paciente se sinta compelida a procurar atendimento médico.

Este procedimento deve ser realizado por todas as mulheres acima dos 20 anos. Nesta idade é raro haver câncer, e, por isso mesmo, é a época ideal para se iniciar o hábito de se auto examinar. As mamas não são órgãos homogêneos e apresentam pequenas alterações na textura e no formato que variam de mulher para mulher. Nas primeiras vezes o auto-exame pode ser frustrante pela falta de entendimento do que estruturas estão sendo palpadas, mas iniciar o exame quando ainda jovem e fazê-lo com frequência ao longo do tempo torna a paciente plenamente familiarizada com as particularidades de suas mamas, facilitando a detecção de quaisquer anormalidades quando estas surgirem.

A presença de próteses de silicone em nada altera a rotina do auto-exame.

O melhor momento para se realizar o exame é 1 semana depois da menstruação, quando as mamas estão menos inchadas e sensíveis. Nas mulheres após a menopausa, o ideal é se estabelecer aleatoriamente um dia fixo do mês para se realizar o auto-exame.

Passos para a realização do auto-exame das mamas:

  1. Ponha-se de pé, de frente a um espelho, com as mãos na cintura. Observe suas mamas. Repare na cor, tamanho, textura e formato das mesmas.
  2. Levante os braços e observe as mamas de frente e de lado. Se estas forem volumosas, deve-se levantá-las para que a região escondida pela pele possa ser observada.
  3. Deite-se de barriga para cima, e com a ponta dos dedos aperte a mama gentilmente. Faça pequenos movimentos circulares. Alterne a pressão que faz com os dedos sobre a mama. Use a mão esquerda para examinar a mama direita e a mão direita para examinar a esquerda.
  4. Realize movimentos de cima para baixo e de baixo para cima, em zigue-zague, de modo a cobrir toda a extensão da mama.
  5. Este exame também pode ser repetido em pé, enquanto se toma banho, pois a pele molhada torna-o mais fácil de ser realizado.

A realização do auto-exame das mamas de modo algum descarta a necessidade de avaliação médica periódica. Por mais que se esteja acostumada com as suas mamas, um médico experiente consegue detectar nódulos pequenos com muito mais facilidade que os pacientes.

Diagnóstico do câncer de mama

O auto-exame da mama ou o exame clínico realizado pelo seu médico são importantes, mas sozinhos só conseguem diagnosticar cerca de 10% dos cânceres de mama. Por isso, indica-se a realização de exames preventivos periódicos, mesmo quando o exame clínico é completamente normal.

A) Mamografia

A mamografia é um exame usado há mais de 40 anos para a prevenção e diagnóstico do câncer de mama. É um procedimento simples, basicamente uma radiografia das mamas.

Para o rastreio do câncer de mama, indica-se a realização de uma mamografia anualmente em todas as mulheres entre os 40 e 70 anos. Em mulheres com história familiar positiva, principalmente em familiar de 1º grau, a mamografia de rastreio deve ser iniciada a partir dos 30 anos.

Sempre que possível, procure agendar sua mamografia para depois do fim da sua menstruação, uma vez que o exame pode causar algum desconforto quando realizado no período pré-menstrual ou nos seus primeiros dias.

A mamografia digital é ligeiramente superior a mamografia convencional em mulheres com menos de 50 anos. Naquelas com mais de 50 anos, não há diferenças relevantes na taxa de detecção de lesões malignas.

Apesar de ser um excelente exame, a mamografia não é 100% sensível e pode deixar passar cerca de 15% dos tumores. Quando o câncer já provoca alguma alteração ao exame clínico, como por exemplo, um nódulo papável, a mamografia consegue identificá-lo em mais de 95% dos casos.

B) Ultrassonografia

Conforme a mulher vai envelhecendo, o tecido das suas mamas, rico em glândulas mamárias, vai sendo substituído por gordura. Uma mulher jovem apresenta uma mama muito mais densa que uma mulher idosa. Mamas densas não são bem avaliadas pela mamografia. Por este motivo, todas as mulheres abaixo dos 35 anos que detectem alguma massa suspeita palpável devem realizar a mamografia mais um exame de ultrassom das mamas.

C) Ressonância magnética nuclear (RMN)

A RMN é um exame reservado às mulheres com elevado risco de câncer de mama, entre elas passado de câncer mamário, presença da mutação genética do BRCA1 e BRCA2 (explico mais abaixo) ou exposição a radiação durante a juventude.

A RMN é muito sensível mas apresenta elevada taxa de falso positivo, ou seja, detecta lesões suspeitas que no final não são lesões malignas.

D) Biopsia da mama

Uma vez identificada pelos exames de imagem, a lesão suspeita deve ser abordada para confirmação histológica avaliação do tecido por microscopia). Para se conseguir uma amostra da lesão, recorremos a biópsia da mesma.

Existem várias modalidades de biópsia que vão desde a introdução de uma fina agulha para aspiração do conteúdo do nódulo, até uma pequena cirurgia com a realização de uma incisão na mama, sob anestesia local, para se chegar até a lesão suspeita, retirando-se um pedaço da mesma.

A biópsia é considerado o exame padrão ouro para o diagnóstico do câncer de mama.

Teste genético para o câncer de mama

Existe uma clara influencia genética para o desenvolvimento do câncer de mama. Até 1/3 das mulheres com a doença apresentam história familiar positiva.

Pelo menos 2 genes já foram identificados como responsáveis pelo câncer de mama hereditário. Cerca de 10% dos casos são causados por mutações nos genes chamados BRC1 e BRC2.

20% das mulheres portadoras de mutações no BRC1 desenvolvem câncer de mama antes dos 40 anos, e 50% antes dos 50. Mulheres com BRC1 têm 65% de risco de desenvolverem tumores de mama durante a vida. No BRC2 o risco é de 50%.

Já existem testes genéticos para identificação destes genes defeituosos. Algumas das indicações para tipagem genética são:

– Pacientes com câncer de mama antes dos 30
– Mais de um parente de 1º ou 2º grau com câncer de mama
– Câncer de mama associado a câncer de ovário
– História pessoal ou familiar de câncer de mama bilateral
– Câncer de mama em parente do sexo masculino

Para saber mais sobre os genes BRCA1 e BRCA2, leia: CÂNCER DE MAMA | Genes BRCA1 e BRCA2.

Mais de 50% dos portugueses votou na esquerda, contra a Troika e a austeridade fiscal.A mastite puerperal, também chamada de mastite lactacional ou mastite da amamentação, é uma inflamação das glândulas mamárias, que ocorre em mulheres em fase de aleitamento materno e pode causar vermelhidão nos seios, dor e febre alta.

Neste artigo vamos explicar por que surge a mastite da amamentação, quais são os seus sintomas e como é o seu tratamento.

Como surge a mastite da amamentação?

Até 10% das mulheres desenvolvem pelo menos um episódio de mastite durante o período de amamentação. Na maioria dos casos, a mastite ocorre nos três primeiros meses de aleitamento, mas nada impede que esta inflamação da mama possa ocorrer em fases posteriores.

As mastites são causadas por diversos microrganismos, sendo a bactéria Staphylococcus aureus o agente mais comum, responsável por mais da metade dos casos (para saber sobre a bactéria S. aureus, leia: STAPHYLOCOCCUS AUREUS | Quais os riscos desta bactéria?).

O principal fator de risco para a mastite puerperal é a estase láctea, ou seja, a permanência de leite represado em um dos ductos mamários por prolongado tempo. A estase do leite pode ocorrer por alguma obstrução de um dos ductos da mama ou por um incompleto esvaziamento dos seios pelo bebê durante a amamentação. Outro importante fator de risco são as fissuras do mamilo, que favorecem a invasão de bactérias da pele para dentro do tecido mamário. Portanto, a mastite da amamentação ocorre basicamente quando uma bactéria vinda da pele consegue alcançar uma região da mama em que há estase de leite.

Podemos então concluir que o melhor modo de prevenir a mastite do puerpério é através da correta técnica de amamentação, com adequada pega do bebê, visando um eficaz esvaziamento da mama em cada mamada e evitando a ocorrência de lesões nos mamilos que servem de porta de entrada para a invasão de bactérias.

Sintomas da mastite da amamentação

A mastite puerperal apresenta como principais sinais e sintomas o endurecimento da mama (leite empedrado), vermelhidão local, dor, cansaço, calafrios e febre, geralmente acima de 38ºC. Ao toque, a área da mama acometida costuma estar endurecida, com aumento de temperatura e dolorosa. A mastite da amamentação costuma acometer apenas um dos seios, sendo rara a infecção bilateral ao mesmo tempo.

O quadro costuma começar de forma branda, primeiro com o endurecimento de uma região da mama, indicando estase do leite neste sítio. A partir daí, podem surgir dor e uma pequena vermelhidão local. O esvaziamento adequado da mama neste momento é importante para evitar a progressão da inflamação. Se a estase se mantiver, pode haver infecção do local, surgindo, então, os sintomas de febre alta, calafrios e prostração.

Se não tratada corretamente, a mastite da amamentação pode evoluir com a formação de abscessos (leia: O QUE É INFLAMAÇÃO? O QUE É UM ABSCESSO?), tornando-se um quadro grave com risco de sepse e necessidade de internação hospitalar (leia: O QUE É SEPSE E CHOQUE SÉPTICO?). Se houver sinais de inflamação da mama, procure o seu ginecologista ou o pediatra do seu filho para que o tratamento adequado possa ser iniciado precocemente.

Tratamento da mastite da amamentação

Devido ao desconforto, à prostração e à dor, e também por acreditarem que o leite da mama inflamada está contaminado e fará mal ao bebê, muitas mulheres suspendem precocemente o aleitamento materno. Este procedimento está errado! A suspensão do aleitamento favorece ainda mais o ingurgitamento da mama e a proliferação das bactérias. O esvaziamento frequente da mama é essencial para o sucesso do tratamento.

Em relação à segurança do bebê, não se preocupe. O leite materno é muito rico em anticorpos e substâncias antibacterianas. Além disso, a acidez do estômago do bebê se encarrega de destruir as bactérias e toxinas que venham a ser ingeridas. Portanto, o aleitamento materno durante a mastite puerperal não só é permitido, como é plenamente indicado.

Se o bebê estiver inquieto durante a mamada no seio acometido, pode ser por alguma demora na descida do leite devido à obstrução. Não tome isso como um sinal de que o leite está fazendo mal ao bebê. Mantenha o aleitamento e drene o restante do leite com um bomba, caso necessário, após o final da amamentação. Massagens, compressas ou banhos quentes ajudam na descida do leite.

Nos casos mais brandos apenas o esvaziamento correto da mama pode ser suficiente para o controle da mastite. Porém, quando há febre alta, mal-estar ou prostração, o uso de antibióticos costuma ser necessário (leia: ANTIBIÓTICOS | Tipos, resistência e indicações).

Os antibióticos mais usados são as penicilinas ou cefalosporinas, como dicloxacilina, cefalexina (leia: INFORMAÇÕES SOBRE A CEFALEXINA) ou cefradina. O tratamento costuma ser prescrito por 7 a 14 dias, de acordo com a gravidade da infecção.

As classes de antibióticos sugeridas acima são consideradas seguras durante a amamentação, já que as quantidades eliminadas no leite são mínimas e não causam prejuízo ao bebê.

Se após 48-72h de antibióticos não houver sinais de melhoria, indica-se a realização de uma ultrassonografia da mama para descartar a presença de um abscesso.

Após a resolução do quadro, é preciso rever as técnicas de aleitamento para minimizar as chances de um novo episódio de mastite.

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BRCA1 e BRCA2 são genes que todos nós temos, cuja função é impedir o surgimento de tumores através da reparação de moléculas de DNA danificadas. O BRCA1 e o BRCA2 são, portanto, genes que nos protegem do aparecimento de cânceres. Quando um desses genes sofre uma mutação, ele perde sua capacidade protetora, tornando-nos mais susceptíveis ao aparecimento de tumores malignos, nomeadamente câncer de mama, câncer de ovário e câncer de próstata.

Neste artigo vamos explicar a relação entre os genes BRCA1 e BRCA2 e o cânceres de mama e ovário, abordando os seguintes pontos:

  • O que são BRCA1 e BRCA2.
  • Relação dos genes BRCA1 e BRCA2 com câncer.
  • Genes BRCA1 e BRCA2 e o câncer de mama.
  • Pesquisa genética dos BRCA1 e BRCA2.
  • Como prevenir o câncer nas pacientes com mutações do BRCA1 ou BRCA2.

Se você está interessado em saber mais informações sobre o câncer de mama, leia:
CÂNCER DE MAMA | Sintomas e diagnóstico
FATORES DE RISCO PARA O CÂNCER DE MAMA

O que são os genes BRCA1 e BRCA2

O câncer é uma doença que surge quando uma célula de um órgão ou tecido sofre mutação, perde suas características básicas e passa a se multiplicar de forma descontrolada, espalhando-se pelo corpo. O câncer surge habitualmente quando o DNA da célula sofre uma lesão.

Como agressões ao DNA celular ocorrem a toda hora, como nos casos de exposição à radiação solar, à toxinas no ar ou nos alimentos, contato com vírus, consumo de drogas (lícitas ou ilícitas), etc., se o nosso organismo não tivesse mecanismos de defesa, todos nós teríamos câncer precocemente. Entre os vários mecanismos contra o surgimento de tumores, estão os anti-oncogenes, genes responsáveis por reparar as lesões do DNA. O BRCA1 e BRCA2 são dois exemplos da família dos anti-oncogenes.

Quando os anti-oncogenes BRCA1 ou BRCA2 sofrem mutação – e já foram identificadas mais de 1000 mutações distintas -, eles perdem a capacidade de suprimir o surgimento de tumores, deixando o indivíduo mais exposto ao desenvolvimento de cânceres, principalmente os cânceres de mama e ovário. A razão pela qual as mutações no BRCA1 e BRCA2 predispõem o desenvolvimento preferencialmente de tumores da mama e do ovário ainda não está esclarecida (como veremos à seguir, outros tumores também estão relacionados aos genes BRCA1 e BRCA2, mas em proporções menores).

O gene BRCA1 ou BRCA2 mutante pode ser passado de uma geração para outra, o que explica a existência de famílias com história de câncer de mama ou ovário em vários dos seus membros. Atualmente já existem testes para identificar a presença de mutações nestes dois genes, servindo para identificar precocemente as mulheres mais susceptíveis aos cânceres de mama e ovário.

Cabe aqui salientar que esta mutação não é muito comum, acometendo apenas cerca de 0,1% da população.

Risco de câncer relacionado aos genes BRCA1 e BRCA2

As mulheres com mutações BRCA1 e BRCA2 têm riscos significativamente elevados de câncer de mama e de câncer de ovário. O risco de câncer de mama é de 50 a 85% e o de câncer de ovário entre 15 a 45%. Quanto mais tempo a mulher vive, maior será o seu risco de ter câncer. Por exemplo, praticamente todas as mulheres com mutação destes genes que vivem até 90 anos já terão tido pelo menos um episódio de câncer de mama ao longo da sua vida. Há também um risco aumentado de um segundo diagnóstico do câncer de mama, ou seja, a mulher com mutações do BRCA1 e BRCA2 tem alto risco de ter um novo câncer de mama, mesmo que tenha conseguido se curar de um câncer prévio.

Os homens portadores do genes BRCA1 ou BRCA2 mutantes também têm um risco aumentado de câncer de mama, mas em proporções bem menores que nas mulheres, cerca de 10% apenas. Por outro lado, o risco de câncer de próstata é até 5 vezes maior para portadores de mutações no gene BRCA2, e 2 vezes maior para as mutações do gene BRCA1 (leia: CÂNCER DE PRÓSTATA | Sintomas e tratamento).

Há outros cânceres relacionados aos genes BRCA1 ou BRCA2 mutantes, mas a frequência é bem menor. Exemplos são os cânceres de pâncreas, cólon, colo do útero, trompas, vias biliares e melanoma.

Câncer de mama e o BRCA1 e BRCA2

De todos os cânceres relacionados às mutações dos genes BRCA1 ou BRCA2, o câncer de mama é claramente aquele com relação mais íntima. Porém, como a mutação do BRCA1 ou BRCA2 está presente em apenas 0,1% da população, a imensa maioria dos casos de câncer de mama ocorre em mulheres sem mutações destes genes. Só conseguimos identificar mutações dos genes BRCA1 ou BRCA2 em cerca de 5 a 10% de todos os casos de câncer de mama.

Resumindo:
1- a grande maioria das mulheres com câncer de mama não tem mutações nos genes BRCA1 ou BRCA2.
2- a grande maioria das mulheres com mutação dos genes BRCA1 ou BRCA2 terá câncer de mama em algum momento da vida.

Só como comparação, em média, 12 em cada 100 mulheres na população geral terão câncer de mama ao longo da sua vida, enquanto que nas mulheres com mutações nos genes BRCA1 ou BRCA2 esta taxa é de 60 para cada 100 mulheres.

Quando pesquisar a mutação nos genes BRCA1 ou BRCA2

Como apenas 0,1% da população possui os genes BRCA1 ou BRCA2 defeituosos não é prático nem economicamente viável sair pesquisando o gene indiscriminadamente em todo mundo.

A existência de dois familiares com câncer de mama não é sinônimo de haver uma mutação genética herdada. A maioria das pessoas ou famílias com câncer de mama não têm mutações nos genes BRCA1 ou BRCA2. Para se pensar na mutação e, consequentemente, na pesquisa dos genes defeituosos, algumas características devem estar presentes:

– Diagnóstico de câncer de mama ou ovário em 3 ou mais membros da família.
– Diagnóstico do câncer de mama antes do 50 anos de idade em pelo menos um membro da família.
– Pessoas com 2 episódios distintos de câncer de mama (não estamos falando em recidiva do primeiro tumor, mas sim em cura e surgimento posterior de um novo câncer).
– Familiares próximos com câncer de mama e câncer de ovário.
– Câncer de mama em homens.
– Câncer de mama nas duas mamas.
– Paciente com câncer de mama e vários familiares com outros tipos de câncer, como pâncreas, próstata ou cólon.

Teste genético para mutações do genes BRCA 1 ou BRCA 2

A interpretação dos resultados dos testes genéticos para BRCA 1 ou BRCA 2 nem sempre é fácil de ser feita. Os resultados podem ser:

1. Positivo para a mutações reconhecidamente perigosas dos genes BRCA1 ou BRCA2 – Significa que foi identificada na paciente uma mutação que é conhecida por estar associada com um aumento do risco para o câncer de mama ou ovário.

2. Provável negativo – Significa que a paciente não tem uma mutação conhecida do BRCA1 ou BRCA2. Este resultado não exclui a possibilidade da paciente ter um risco hereditário de câncer. Nem todas as mutações são detectadas nos testes atuais. Além disso, há muitas mutações genéticas que ainda não foram descobertas.

3. Negativo real – Significa que uma mutação do BRCA1 ou BRCA2 sabidamente existente em um dos seus familiares foi descartada na paciente. Este resultado geralmente significa que os riscos de câncer de mama na paciente são os mesmos que as de outras mulheres na população em geral.

4. Positivo para a mutação genética de significado desconhecido – Significa que a paciente tem uma mutação genética, mas não se sabe ainda se esta mutação específica aumenta o risco de câncer de mama ou câncer de ovário.

Atenção: um resultado negativo não significa que você não possa desenvolver um câncer, assim como um resultado positivo não quer dizer que você obrigatoriamente irá desenvolver câncer. Nos casos de teste positivo, entre 50 e 85% das mulheres irão desenvolver câncer de mama em algum momento da vida. No caso do câncer de ovário, esta taxa é de 15 a 45% (mais alta no BRCA1 que no BRCA2).

O que fazer quando a pesquisa genética para mutações do BRCA1 ou BRCA 2 é positiva

Quando a paciente recebe a notícia de ter uma mutação reconhecidamente perigosa dos genes BRCA1 ou BRCA2, algumas opções para a prevenção do câncer de mama e de ovário devem ser colocadas à mesa.

a) Rastreio frequente

Mulheres devem seguir a seguinte rotina de rastreio de malignidades:

– Auto-exame da mama mensalmente com início aos 18 anos.
– Exame clínico das mamas por médico experiente duas a quatro vezes por ano, começando aos 25 anos.
– Mamografia ou ressonância magnética da mama a cada seis meses, com início aos 25 anos.
– Rastreio do câncer de ovário com ultra-som transvaginal e níveis sanguíneos de CA-125 duas vezes por ano, com início aos 35 anos (ou 10 anos antes do caso mais precoce da família).

Homens devem seguir a seguinte rotina de rastreio de malignidades:

– Auto-exame da mama mensalmente.
– Exame clínico das mamas por médico experiente semestralmente.
– Mamografia anual, principalmente se houver ginecomastia (leia: GINECOMASTIA (mama masculina)).
– Rastreio apropriado para o câncer da próstata.

b) Cirurgia preventiva

A mastectomia (retirada cirúrgica das mamas) bilateral e a remoção das trompas e dos ovários é uma opção radical, mas com resultados muito favoráveis na prevenção do câncer nas pacientes com mutações dos genes BRCA1 ou BRCA2.

A retirada das mamas reduz em mais de 90% o risco de câncer de mama. A cirurgia mais efetiva é a retirada total da mama, mas técnicas mais modernas, que envolvem a preservação dos mamilos e da pele parece ter resultados semelhantes com menos danos estéticos. A maioria das mulheres pode fazer uma cirurgia plástica reconstrutora após a mastectomia.

Nas mulheres entre 35 e 40 anos, com prole já estabelecida, a retirada dos ovários pode ser também indicada. Este procedimento reduz o risco de câncer de ovário em 90% e também colabora com uma redução de 60% no câncer de mama.

Apesar dos resultados favoráveis, ambas as cirurgias acarretam grande impacto emocional nas pacientes. A mastectomia bilateral pode ter efeitos desfavoráveis tanto na auto-estima quanto na libido da paciente. Já a ooforectomia (retirada dos ovários) leva à menopausa precoce (leia: MENOPAUSA PRECOCE).

c) Prevenção com medicamentos

Um medicamento chamado tamoxifeno pode reduzir o risco de câncer de mama nas mulheres que apresentam mutações do BRCA, embora o grau de redução não esteja ainda claro. Anticoncepcionais hormonais (pílula, adesivo de pele, anel vaginal ou implante) podem diminuir o risco de câncer de ovário.

A dor nos seios é chamada em medicina de mastalgia. Quando a dor na mama está intimamente relacionada à menstruação, ela recebe o nome de mastodinia.

A dor nos seios é um sintoma extremamente comum. Cerca de 60% das mulheres têm algum grau de mastalgia, mas poucas consideram esse sintoma importante o suficiente para procurar ajuda médica. Na verdade, apenas 1 em cada 10 mulheres que referem dor em um ou ambos os seios descreve a dor como de moderada a forte intensidade.

Na imensa maioria dos casos, a mastalgia não é um sinal de doença grave das mamas. Isso não significa, porém, que mulheres com dor mamária persistente não devam procurar seus ginecologistas para tentar esclarecer a origem da sua dor.

Causas de dor nos seios

Dois terços das dores mamárias são consideradas cíclicas e um terço é considerada não-cíclica. Dor cíclica é aquela que está associada às variações hormonais do ciclo menstrual, surgindo, habitualmente, uma semana antes da menstruação. A dor não-cíclica é aquela que não segue um padrão mais ou menos previsível, podendo ser constante, intermitente ou apenas pontual, como após traumas da mama ou do tórax.

1- Principais causas de dor mamária cíclica

Dores leves ou pequenos desconfortos difusos em ambas as mamas são normais durante o ciclo menstrual e ocorrem em praticamente todas as mulheres em idade fértil. Este tipo de dor nos seios costuma surgir na segunda metade do ciclo menstrual, agrava-se dias antes da menstruação e desaparece assim que a mulher menstrua.

Quando esta dor cíclica relacionada ao ciclo menstrual é de intensidade moderada a forte, dizemos que a paciente tem mastalgia cíclica. As características são as mesmas de qualquer dor cíclica, mas o incômodo é tão importante que pode atrapalhar a vida sexual, social e as atividades físicas nos dias que antecedem a menstruação.

Outra causa comum de dor cíclica nos seios é a chamada doença fibrocística da mama. Apesar de ter doença no nome, essa alteração da mama não é uma doença de fato. São apenas nódulos císticos benignos que podem surgir na mama ao longo da vida devido a estímulos hormonais. Em alguns casos, estes cistos podem ser dolorosos.

2- Principais causas de dor mamária não-cíclica

Ao contrário das dores cíclicas, a dor mamária não-cíclica não mantém relação com o ciclo menstrual e costuma acometer apenas uma das mamas. Entre as causas comuns de dores não-cíclicas, podemos citar:

  • Mamas muito grandes – o peso pode causar estiramento do ligamento de Cooper, que é a estrutura que dá sustentação às mamas.
  • Mastite – inflamações da mama são muito comuns durante o aleitamento materno, mas podem ocorrer também em mulheres que não estão amamentando (leia: MASTITE DA AMAMENTAÇÃO).
  • Traumas na mama – após lesões ou traumas, a mama pode apresentar dor não-cíclica por algum tempo.
  • Ectasia ductal – essa alteração ocorre por dilatação e obstrução dos ductos mamários que transportam leite. A ectasia ductal pode provocar inflamação, levando a um quadro muito parecido com o da mastite.
  • Gravidez – o desenvolvimento das mamas durante a gravidez pode levar a quadros de dor não-cíclica.
  • Câncer da mama – um tipo de tumor maligno do seio, conhecido como doença de Paget da mama, é um forma incomum de câncer da mama que pode provocar inflamações, ulcerações e dor no seio.
  • Cirurgia prévia da mama – após a cicatrização do tecido mamário devido a uma cirurgia ou biópsia, a mama intervencionada pode apresentar quadros de dor não-cíclica.
  • Medicamentos – algumas drogas podem causar dor não-cíclica nos seios, como por exemplos: antidepressivos (fluoxetina ou sertralina), pílulas anticoncepcionais, metronidazol, clomifeno, espironolactona e outros.

3- Principais causas de dor extra-mamária

Algumas mulheres com mastalgia podem ter, na verdade, problemas fora da mama, como dor muscular na região do tórax, lesões nas costelas, herpes zoster, fibromialgia, problemas de coluna, etc.

Dor nos seios pode ser sintoma de câncer da mama?

A maioria das mulheres que procura o seu ginecologista por conta de dor nos seios, o faz pelo medo do câncer de mama. Felizmente, esse medo é infundado na maioria dos casos.

A verdade é que a dor nas mamas é um sintoma muito mais relacionado a doenças benignas da mama do que ao câncer. Menos de 3% das mulheres que apresentam dor mamária como único sintoma acabam descobrindo que a origem da dor era um tumor maligno da mama.

Nos casos de dor cíclica, ou quando a causa da dor mamária é óbvia, como traumas recentes ou uma mastite em curso, não é preciso realizar exames de imagem, como mamografia ou ultrassonografia da mama, para descartar doenças mais graves.

A não ser que a dor seja de origem desconhecida e durante o exame da mama seja possível identificar um nódulo solitário suspeito, não há por que pensar em câncer da mama para pacientes com queixas de mastalgia.

Tratamento da dor nos seios

O primeiro passo no tratamento da mastalgia é acalmar a paciente e explicar que esse sintoma não é um sinal habitual de câncer da mama.

Em muitos casos, a dor nos seios desaparece com o tempo, sem que nenhum procedimento seja necessário. Em outros, simples mudanças da dieta e de hábitos de vida podem ajudar. Cortar gorduras, parar de fumar e reduzir o consumo de cafeína parecem ser efetivos em alguns casos. Mulheres com seios grandes devem trocar o tamanho e o tipo do sutiã, de forma a mantê-los com melhor suporte. As mulheres que praticam corridas ou outras atividades físicas que causem intensa movimentação dos seios devem usar “sutiãs esportivos” de forma a mantê-los mais “presos”.

Quando a dor estiver relacionada à medicação, ou troca-se o remédio ou a dose deve ser reduzida.

Se a dor for muito incômoda, anti-inflamatórios ou analgésicos simples podem ser usados por alguns dias. Em casos de dor severa, drogas como o tamoxifeno e o danazol podem ser prescritas, apesar de terem efeitos colaterais frequentes.

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